Consumo engajado alimenta mercado

Consumo engajado alimenta mercado que cresce na crise

Rede de produtos naturais e sem teste em animais cresceu 300% em três anos.

Por Ludmila Pizarro

Em plena crise econômica, um elemento novo está influenciando cada vez mais a escolha do consumidor brasileiro: a convicção. Vegetariana, “quase vegana”, a produtora cultural Thaís Freitas, 32, não se importa em pagar 60% mais caro em um biscoito desde que ele seja “natural, orgânico e respeite a natureza” em seu processo de fabricação desde a matéria-prima. Já a engenheira Eliana Castro, 31, vegana há nove anos e autora do blog Beleza Vegana, sobre cosméticos veganos e livre de crueldade com animais, admite que “um queijo vegetal, por exemplo, pode custar o dobro de um queijo convencional de leite de vaca”. Da mesma forma, a relações públicas Diana Junqueira, 38, relata que sua “compra de supermercado é cara porque envolve orgânicos, marcas naturais e produtos menos processados”.

Os gastos mais elevados não são motivados por status, mas pelo compromisso e pela ideologia. “Eu não compro marcas específicas porque elas são testadas em animais. Dizem que fiquei radical, que fico lendo rótulos. Fico mesmo! Primeiro, por motivos espirituais; segundo por compaixão pelos animais. Depois por razões ambientais e, por último, por saúde”, diz Thaís. “Sou vegana pelos animais, mas essa decisão acarreta em uma melhora considerável na minha saúde e no meio ambiente”, complementa Eliana.

Esse novo consumidor ainda tem dificuldade de encontrar empresas que atendam suas demandas. “Em comparação aos países norte-americanos e europeus, o Brasil ainda tem muito a evoluir em termos de variedade e popularização de produtos veganos. Existem poucas empresas e pouca concorrência”, afirma Eliana. Porém, quem já percebeu o potencial desse cliente está sobrevivendo e até crescendo em plena crise econômica. O empresário Ricardo Cruz, da Nação Verde – que comercializa cosméticos e maquiagens veganas, suplementos naturais e produtos orgânicos a granel –, afirma que, nos últimos três anos, quadruplicou o número de lojas. Hoje já são 25 em sete Estados brasileiros.

A empresária Juliana Muradas abriu o restaurante e empório Deli Fresh Food, que mantém um cardápio natural com opções veganas e venda de produtos orgânicos há dois anos e até hoje, na hora do almoço, há fila na porta. “Até setembro de 2015, crescíamos em faturamento todos os meses. Depois disso, começamos a sentir a crise, mas não com a força que vemos em outros locais. O cliente que consome seguindo suas convicções é mais fiel”, diz Juliana..

Impacto no mundo

“Já fiz muita gente repensar seus hábitos a partir dessa minha escolha. Isso significa uma mudança, mesmo que mínima. Acho que as indústrias estão começando a sentir um peso. O McDonald’s, por exemplo, está em crise no mundo inteiro. Isso muda toda a cadeia produtiva e de exploração daquela rede”

Diferença

Além da comida. O vegetariano é aquele que não consome carne animal e alguns evitam ovo e laticínio. Já o vegano exclui todo tipo de produtos de origem animal, não apenas da alimentação.

Fraldas de pano ainda têm mercado 

“Desde criança, a produção de lixo me incomoda. Por causa daquele tanto de descartáveis, deixava até de ir a festas”, relata a fisioterapeuta Luciana Torres, que manteve a preocupação com o impacto do lixo na vida adulta e, agora que é mãe, adotou as fraldas de pano. Pelas contas de Luciana, ela gastaria cerca de 8.000 fraldas descartáveis em dois anos de vida de sua filha, Mel Torres, que hoje tem seis meses. Segundo a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma fralda descartável demora 600 anos para se decompor na natureza. “A gente tem um pouco mais de trabalho, mas é o mínimo diante do benefício de evitar todo esse lixo”, afirma Luciana.

“Minha principal preocupação foi ambiental, mas, além disso, as fraldas de pano são muito mais econômicas”, conta a fisioterapeuta. Ela tem um conjunto de 17 fraldas que custou em torno de R$ 1.200. Se considerarmos um preço médio de R$ 1 por fralda descartável, em menos de quatro meses, as fraldas de pano compensam.

Segundo a proprietária da Loofy Baby Fraldas de Pano, Scheilla Martins dos Santos, além da questão econômica, as fraldas de pano mantêm a pele do bebê mais saudável.

Coletor

Além das fraldas de pano, Luciana é adepta do coletor menstrual, que substitui os absorventes descartáveis. “Optei pelo mesmo motivo, gerar menos lixo. Mas o coletor também é muito econômico. Eu paguei R$ 95 no meu, e ele pode durar dez anos. E é muito confortável”, avalia Luciana.

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Fonte: O Tempo

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