Coordenador do CCZ admite exterminar cães saudáveis em Três Lagoas, MS

Coordenador do CCZ admite exterminar cães saudáveis em Três Lagoas, MS

Após discussões ocorridas entre o vereador Beto Araújo (PSD) e a coordenadoria do CCZ (Centro de Zoonoses), o veterinário José Antônio Empke defende-se e afirma que é prorrogativa do local que, quando registrados, os cães não podem ser retirados de lá sem a autorização de quem assinou sua entrada no órgão.

Conforme Empke explica, todos os meses são recolhidos pelo CCZ cerca de 300 cães, 20 deles já chegam mortos, 10 já em estado terminais, 10 com alguma desnutrição ou falta de cuidados e 60 estão com alguma doença que não são zoonoses e poderiam ser tratadas, e o restante, mesmo sem nenhuma doença, são eutanasiados.

Desta forma ele explica também que não faz parte das diretrizes do Ministério da Saúde ter locais para tratamentos destes animais, nem mesmo doação dentro dos CCZs. “Se alguém chegar aqui e me pedir um cão que não está doente eu não posso doar. A menos que seja o dono ou a pessoa que assinou a ficha de entrega do cão. Isso porque posso ter problemas éticos se posteriormente o antigo dono encontrar o animal. Já fiz isso e sofri denúncias de que comercializava cães aqui, o que era uma inverdade. Portanto, todos os cães são eutanasiados”, explica. 

POLÊMICA

Sobre o caso do cão de rua que vivia na região do ESF (Estratégia de Saúde da Família) no bairro São Carlos, capturado pela carrocinha do CCZ, sujeito a eutanásia e que acabou morrendo na responsabilidade do órgão, mesmo o vereador Beto Araújo (PSD) tendo solicitado a busca do animal afirmando custear o tratamento, Empke explica que o cão não foi morto por nenhum funcionário, mas estava muito fraco, desidratado, desnutrido e sintomático de leishmaniose e não resistiu.

O coordenador ainda informou a reportagem do ExpressãoMS que entre brigas, sobre permitir ou não a saída do animal pelas mãos de Beto houve muitas ofensas e acusações por parte do vereador contra a equipe do CCZ, chegando a acusá-la de assassina e não efetuar um trabalho de efeito social compatível com a responsabilidade que têm em mãos, e que diante de tais afirmações ele (coordenador) solicitou presença policial que resultaria em um Boletim de Ocorrência.

Entretanto, na presença da secretária de Saúde Elaine Brilhante e a diretora de Vigilância e Epidemiologia Neide Yuki, os ânimos foram acalmados não levando o caso à polícia e que a partir de uma conversa amigável teria acertado com o vereador dar-lhe a responsabilidade sobre o animal, e, desta forma, Beto poderia busca-lo no sábado (26), entretanto, o animal passou o fim de semana lá e acabou morrendo no domingo.

“Ainda depois de avisar sobre a morte do cachorro, Beto continuou com acusações e afirmou que buscaria o animal para fazer exames que apontassem as causas da morte do cão. Então primeiro ele disse que iria cedo porque o levaria à Andradina, depois, mais tarde à Araçatuba e por fim veio as 17h para leva-lo a São Paulo. Não sei o que se deu, só sei que o animal já nem estava mais em condições de transporte e com muito mal cheiro”, aponta o veterinário.

Desta forma, o coordendor acredita ter executado de maneira idônea seu ofício e afirma que quando se trata de saúde pública algumas ações devem ser tomadas. “Se o cão é doente, diagnosticado com leishmaniose, ou sintomático temos sim que eutanasiar”, entretanto, não nega que parte dos cães não são submetidos ao exame e mesmo assim são eutanasiados.

Fonte: Expressão MS

Nota do Olhar Animal: Mais uma vez funcionários públicos usam o termo “eutanásia” para designar a matança de cães saudáveis, o que na verdade é um extermínio. Diante da confissão, cabe ao Ministério Público de MS processar a prefeitura e veterinário pelo ocorrido.

 

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