Corujas são retiradas de exposição no Shopping Eldorado, em SP, após denúncias de maus-tratos

Corujas são retiradas de exposição no Shopping Eldorado, em SP, após denúncias de maus-tratos
Corujas da exposição 'Casa dos Bruxos' com patas atreladas no Shopping Eldorado (Foto: Paulo Toledo Piza/G1)

Após denúncias de maus-tratos, quatro corujas foram retiradas da exposição “Casa dos Bruxos”, localizada no Shopping Eldorado, na Zona Oeste de São Paulo, na tarde desta quarta-feira (28). A exposição acontece desde o dia 18.

Segundo visitantes, os animais ficavam com as patas amarradas para que as pessoas pudessem tirar fotos. O treinador das aves disse que o equipamento é utilizado em trabalhos técnicos de falcoaria e que não configura maus-tratos (leia mais abaixo).

A decisão de retirar as corujas foi tomada após a repercussão de um post do Instagram da apresentadora e ativista Luisa Mell, que, depois de ter recebido uma mensagem de uma seguidora, ligou para o shopping para apurar a denúncia. “A atendente confirmou que elas ficam das 10 da manhã até as 10 da noite, todos os dias (menos segunda), amarradas para tirarem fotos”, escreveu.

Luisa Mell denunciou maus-tratos às corujas em exposição em shopping (Foto: Reprodução/Instragram/Luisa Mell)
Luisa Mell denunciou maus-tratos às corujas em exposição em shopping (Foto: Reprodução/Instragram/Luisa Mell)

Em nota, o Shopping Eldorado informou que “após apuração da denúncia dos maus-tratos com animais pelo responsável da exposição ‘Casa dos Bruxos’, as corujas foram retiradas e não voltarão a participar do evento”.

A assessoria diz que o centro comercial “se comprometeu em aumentar a rigidez da sua fiscalização em eventos próprios ou de terceiros nas dependências do empreendimento ” e que “não autoriza ou apoia exploração animal, maus-tratos ou qualquer conduta que não condiz com os valores praticados pela empresa”.

Em entrevista ao G1, o treinador das corujas, Wagner Ávila, disse que o que envolve a pata dos animais é chamado de equipamento de atrelaria, material que faz parte de um método técnico normalmente usado em atividades de falcoaria. Isso, portanto não configura maus-tratos, segundo ele.

O treinador informou que todos os animais da empresa Anima Legal, responsável pelas corujas da exposição, são certificados pelo Ibama.

O treinador afirmou ainda que a inclusão das aves na exposição tem o objetivo de conscientização, já que depois do lançamento do filme Harry Potter, tema da exposição, muitas pessoas adotaram corujas que logo depois abandonaram.

“Nossa participação nesse evento é uma interferência. Estamos lá para falar para as pessoas não comprarem corujas, porque elas não interagem. Na exposição, elas ficam em sua situação natural, dormindo”, disse.

Segundo Wagner, duas das seis corujas que ele treina e cuida foram doadas por pessoas que desistiram dos animais e deixaram de ser agressivas depois de receberam tratamento adequado. “Todas as nossas aves voam e têm asas inteiras. Essa espécie [da exposição] é naturalmente adaptada ao meio urbano. Todas as aves são usadas para nossas aulas de educação ambiental”, concluiu.

Por Rafaela Putini (com supervisão de Paulo Toledo Piza)

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Que usem realidade virtual, hologramas, seja lá o que for. Levar asas para aquele ambiente só ensina a desrespeitar os interesses dos animais. No mais, permitir que sejam usadas para selfies desqualifica ainda mais a ação como tendo algum sentido educativo. Está mais para circense.

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