Corvo não deixa a mulher que salvou sua vida

Corvo não deixa a mulher que salvou sua vida

Por Christian Cotroneo / Tradução de Alda Lima

Fagin quase não tem palavras para agradecer o ser humano que salvou sua vida.

Eles sempre parecem ter uma reputação ruim. Como os coaxares distorcidos de um velho ranzinza.

Mas desde que Vikkie Kenward o encontrou ainda bebê caído de seu ninho — e o alimentou com uma dieta constante de grilos e vermes nutritivos — o corvo encontrou outras maneiras de mostrar sua gratidão.

Ele raramente sai do seu lado. Ou de sua cabeça.

“Ele é livre para voar e pode sair sempre que quiser”, diz Kenward, que vive em West Sussex, Inglaterra, ao site The Dodo. “No entanto, ele sempre volta para casa.”

De fato, para Fagin, o lar é onde o cabelo está. Ou os pelos.

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Ficar órfão tão jovem por sua própria espécie parece ter forçado Fagin a se adaptar a um outro tipo de vida.

“Quando eu ando com meu cão na rua, Fagin normalmente caminha junto conosco”, diz Kenward, “e meio que pula adiante quando começa a ficar para trás”.

Sim, aquelas pernas — tão pequenas em comparação com as de sua humana e seu cachorro, Inca — têm um limite até onde podem levar um corvo.

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Ainda assim, como outras aves que criaram uma conexão incomum com seu salvador, Fagin conseguiu viajar para longe em uma vida que ele quase nunca teve.

“Ele obviamente havia caído de seu ninho, que era muito alto, numa árvore enorme de carvalho”, explica Kenward.

O pássaro bebê ferido estava se contorcendo e engasgando ao lado da estrada.

(Nota: Você deve pegar um pássaro bebê somente se ele estiver ferido ou tiver certeza de que ele foi abandonado pela mãe.)

Kenward — que tem experiência em reabilitação de aves órfãs — o chamou de Fagin, por causa do malandro emblemático de “Oliver Twist”. Ela imaginou que ele iria voar de volta para seu ninho assim que recuperasse sua força.

Mas, ao contrário de aves anteriores, Fagin acabou ficando por ali mesmo.

Na verdade, ele mostrou certo gosto por seres humanos e cães.

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Até as tentativas peculiares de Fagin de subir não se parecem nada com as de um corvo. Provavelmente porque ninguém lhe mostrou como isso é feito.

“Eu acho que Fagin vê o voo como um esporte ou o faz para se divertir,” diz Kenward, “porque ele fica animado e durante o vôo começa a girar, mergulhar e espiralar no ar — como se um avião de caça estivesse bem atrás dele o perseguindo”.

Enquanto a gratidão de Fagin pode não conhecer limites, sua higiene pessoal também não. O corvo ainda não descobriu onde pode ir ao banheiro. Ou, pelo menos, ele escolhe não o fazer.

Fagin tende a aliviar-se onde quer que esteja pousado. É um pouco problemático quando um de seus poleiros favoritos é a cabeça de Kenward.

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Um dia, Fagin poderá encontrar as palavras para lhe agradecer por tudo que ela fez por ele e até mesmo todos os excrementos de aves que ela enfrentou.

Ele está claramente trabalhando nisso. Na verdade, Kenward está convencida de que ele está tentando falar.

“Parece tão engraçado, eu nunca ouvi um corvo fazer um ruído sequer ligeiramente semelhante”, diz ela.

Não se preocupe, Fagin. Você vai ter o resto da sua vida para encontrar essas palavras.

Fonte: The Dodo

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