Costume de criar animais silvestres dificulta combate ao crime ambiental em Mossoró, RN

Costume de criar animais silvestres dificulta combate ao crime ambiental em Mossoró, RN

Apesar de ainda ser visível a presença de pássaros engaiolados expostos à venda na cidade, não existem lojas ou criadores autorizados para vender animais silvestres em Mossoró.

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A atuação da Polícia Ambiental de Mossoró está mudando o hábito que as pessoas têm de criar animais silvestres, principalmente a criação de pássaros, com gaiolas penduradas pela casa. O tenente da Polícia Ambiental, João José de Souza Almeida, ressalta que a criação de animais é uma questão cultural, muito mais forte na zona rural da cidade, onde ainda é possível ver gaiolas expostas nos alpendres.

No entanto, na zona urbana, já se percebe que a situação difere da que se via há ou oito ou nove anos. “Antes as gaiolas eram penduradas nas paredes, hoje não se vê mais isso, mas no interior ainda tem muito”, comenta o tenente.

O comandante explica que mesmo sendo crime criar animais silvestres em cativeiro, devido ao costume, as pessoas acabam não vendo isso como algo ilegal, o que torna o trabalho de conscientização ambiental mais difícil. “Passa de pai para filho”, ressalta.

Segundo a Polícia Ambiental, a criação de animais silvestres não é proibida, mas sim regulada. Dessa forma, podem ser criados apenas bichos legalizados. Tenente Almeida alerta que um animal retirado da natureza de forma ilegal, não tem como ser legalizado, a lei não permite. “Não existe como legalizar um animal silvestre retirado da natureza”, afirma.

Para ter essa autorização, o criador precisa comprar o animal de uma loja autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) ou comprar o bicho já legalizado de outra pessoa.

Mossoró não possui lojas autorizadas a vender animais silvestres

Apesar de ainda ser visível a presença de pássaros engaiolados expostos à venda na cidade, não existem lojas ou criadores autorizados para vender animais silvestres em Mossoró. De acordo com o tenente da Polícia Ambiental, João José de Souza Almeida, conseguir essa autorização para vender bichos criados em cativeiro é muito difícil, por isso, poucas pessoas se interessam pelo mercado. E os que conseguem vendem os animais silvestres por um preço elevado.

Os pássaros legalizados, por exemplo, precisam ter uma anilha na pata, com identificação do animal e número na nota fiscal, essa é a “carteira de identidade” da ave com criação autorizada pelo Ibama.

Por enquanto, a Polícia Ambiental tem feito poucas apreensões de animais silvestres criados em cativeiro sem autorização, o motivo é a superlotação do viveiro. “Não tem mais capacidade para apreender mais, o centro de triagem está com sua capacidade máxima, sem estrutura para receber outros”, explica o tenente.

Fonte: Gazeta do Oeste 

Nota do Olhar Animal: A permissividade em relação ao comércio de animais estimula o tráfico. E do ponto de vista ético, pouco importa se a origem do animal é legal ou ilegal, pois a compra e venda de um ser senciente é imoral em ambos os casos. 

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