Cresce em 30% na Argentina a oferta de hospedagens que aceitam animais

Cresce em 30% na Argentina a oferta de hospedagens que aceitam animais

A Argentina é o país com mais animais de estimação por habitantes no mundo. Enquanto a metade da população a nível global tem ao menos um animal doméstico por domicílio (56%), na Argentina 80% dos cidadãos declararam possuir ao menos um animal de estimação em sua casa, sendo 66% cães, segundo um estudo difundido pelo GFK Group e divulgado no final de 2016.

Por este motivo, decidir o que fazer com os animais de estimação quando chegam as férias é um problema para os turistas de todo o mundo, mas principalmente para os argentinos.

Cada vez mais as pessoas decidem levar seus pets em suas viagens e ano após ano o turismo tem começado a se adaptar a esta tendência. Seja por marketing ou por uma oferta genuína, em 2015 foi inaugurado em Mar del Plata, uma cidade essencialmente turística, a primeira praia canina do balneário Yes!, que conta com espaços exclusivos para cães como um “pipi room”, serviço de cuidadores, distribuição de bolsas e capas e, futuramente, uma piscina especial para cães.

No que diz respeito a hospedagem em geral, as casas de veraneio e cabanas são mais tolerantes com os pets do que os hotéis, tanto por questão de comodidade como porque os hóspedes não compartilham espaços com desconhecidos. Em 71% das cabanas e casas de veraneio do site AlquilerArgentina.com são aceitos animais de estimação, e a oferta deste tipo de hospedagem cresceu em 30% nas últimas temporadas; o mais importante é que nenhuma das casas de veraneio cobra taxa adicional pela admissão de mascotes.

Sendo esta a política mais restritiva nos hotéis, onde há espaços comuns com outros hóspedes que podem ou não amar os animais, e em geral hospedar os animais de estimação tem um custo extra.

Contudo, há cerca de 600 hotéis que aceitam mascotes em todo o país. Se buscarmos através do Booking.com hotéis para a primeira quinzena de janeiro em Mar del Plata que aceitam animais de estimação há somente 15 opções disponíveis, entre as quais se encontra o hotel Sheraton, alguns hotéis de duas estrelas e o restante são cabanas.

Em Buenos Aires, o Palácio Duhau Park Hyatt possui um programa chamado VIP Program (Very Important Pets), que oferece estadia de luxo para os animais de estimação, com um menu específico, serviço de petshop e passeio pela cidade. São admitidos cães de até cinco quilos. O Four Seasons também aceita animais de estimação de até sete quilos e oferece um serviço de babysitter para cães.

Traslado

Outro tema a se ter em conta é o traslado dos animais, que varia segundo o meio de transporte escolhido pelo tutor. Na Argentina, o Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar (SENASA) estabelece que sempre que uma pessoa decide viajar de férias com seu animal de estimação, incluído se viaja em carro particular, é preciso levar um certificado de vacinação antirrábica.

Nos transportes coletivos de grande distância não estão permitidos animais de estimação por uma disposição da Comissão Nacional de Transporte e no caso dos aviões, depende de cada companhia e/ou da legislação de cada país. Por exemplo, países como Inglaterra, Nova Zelândia ou as Ilhas Galápagos não admitem o ingresso de animais de estimação. Na Argentina, desde o dia 15 de janeiro de 2015 a Aerolíneas Argentinas admitiu que os passageiros viajassem com cães e gatos pequenos. Há um custo que vai de 400 a 1.800 dólares, segundo o destino, ou de 200 dólares a 400 euros para voos internacionais.

As Aerolíneas Argentinas permitem o traslado de mascotes na cabine em voos de transporte regionais desde que o animal tenha mais de 45 dias de vida, não exceda os nove quilos permitidos, tenha o certificado de saúde expedido por um veterinário, esteja vacinado contra raiva, desverminado e esteja em uma caixa de transporte de animais que caiba em frente ao assento fronteiro do passageiro. Os cães-guias podem viajar soltos na cabine, aos pés de seu tutor, porém requerem um pedido explícito para a companhia por parte do passageiro antes da viagem.

No caso da LATAM também se pode levar cães e gatos na cabine ou no espaço de carga, segundo a disponibilidade. O animal tem que viajar com sua guia e não pode estar sedado. Se viajar na cabine, necessita ter certificado do veterinário com uma vigência máxima de 10 dias antes da viagem, se for no espaço de carga, a vigência dependerá da entidade sanitária do país de destino.

Existem algumas raças de cães e gatos que estão restringidas para viajar no espaço de carga dos aviões por uma questão de segurança. Se trata dos braquicéfalos, comumente chamados de nariz chato, como são os Pitbull terrier, Pequinês, Sharpei, Boxer entre outros, já que estes são muito sensíveis ao calor e possuem dificuldades respiratórias.

Caixas transportadoras

As caixas transportadoras para cães custam desde 390 dólares – as mais econômicas e usadas – até 12.500 dólares.

Na LATAM admitem-se caixas rígidas ou medianas que não podem superar os 36 x 33 cm, devem ter ventilação adequada, base impermeável e fechamento. O animal deve caber com comodidade e poder mover-se sem problemas.

Recomendações da ADDA para viajar com animais de estimação 

A ADDA, Associação para a Defesa dos Direitos dos Animais (www.adda.org.ar), vem trabalhando sobre o tema faz mais de 36 anos e foi a entidade eleita para participar na Operação Sol, da província de Buenos Aires, durante muitos anos.

A Associação elaborou com exclusividade para o AlquilerArgentina.com uma série de recomendações para o cuidado dos animais de estimação durante as férias, promovendo um turismo pet-friendly responsável.

O assento de transporte deve estar comodamente acondicionado com uma manta ou toalha, que servirão para proteger o interior do automóvel.

Não deixe que seu cão coloque a cabeça para fora da janela durante a viagem.
A mascote não deve viajar solta dentro do carro.

Se a viagem for longa é importante fazer paradas de vez em quando para que o animal faça suas necessidades e reduza seu nível de estresse.

Quando fizer uma parada, não deixe sua mascote dentro do carro sob o sol, mas tampouco na sombra ou com a janela aberta.

Leve um atestado de boa saúde expedido por um veterinário. Frente a possíveis acidentes com terceiros (cães ou pessoas).

Antes de partir identifique seu animal de estimação com um número telefônico para que você seja contatado em caso de extravio. O cão deve sair com coleira e guia conduzido por um adulto responsável em qualquer parte do país.

Não faça mudanças bruscas em seus costumes, já que isso pode ocasionar que sua mascote se sinta incomodada e tenha distúrbios, é preferível não trocar a dieta para não provocar transtornos digestivos.

É recomendável que antes de viajar sua mascote esteja em jejum.

É importante que seja dada água pelo menos a cada quatro ou cinco horas durante a viagem.

Se o cão viaja em uma caixa transportadora esta deve ter espaço para tomar distintas posições, tendo o maior tamanho possível. Se o animal vomitar, seu responsável deve limpar o espaço e também o animal, então levar uma toalha de mão ou um rolo de papel absorvente é necessário. Leve sempre saquinhos para recolher a matéria fecal.

Lugar de destino: cidade, praia ou montanha

Cidade: se o lugar de destino é uma cidade o cão deve sair sempre de coleira e guia, levado por um adulto responsável. Se o cão costuma ladrar e pode morder estranhos, coloque uma focinheira do tipo jaulinha que lhe permita respirar. Ao ir a locais de alimentação que permitam pets controle para que o cão não tenha contato com as pessoas que passam junto a mesa.

Praia: nem todas as praias permitem animais, observe as proibições e leia os cartazes. Vá a lugares onde o animal seja bem-vindo. Para deixá-lo solto não tire a coleira com sua identificação, mas apenas a guia, assegure-se de soltá-lo em lugares onde o cão possa ouvi-lo e leve sempre saquinhos para recolher a matéria fecal de seu animal.

Montanha: tenha o animal sempre a vista, os cães também podem sofrer acidentes, a segurança é sempre garantida com a coleira e a guia.

Lugar de alojamento: em primeiro lugar, o fato de que nos hospedemos com nosso cão, na qualidade de membro da família, não significa que não tenhamos a obrigação de controlá-lo. O animal não deverá sair solto das dependências privadas. A coleira e a guia são sempre uma maneira de dar segurança ao animal e aos demais, especialmente para as pessoas que não têm porque saber que se o cão não morderá ou avançará sobre uma criança pequena, ainda que seja para brincar.

Se o cão dorme no quarto com seus responsáveis, ele deverá ter uma cama ou uma manta limpa para que use em sua vida diária. É aconselhável que após a viagem, seja de 15 dias, um mês ou pela temporada, fique para aqueles que alugaram ou alojaram sob as condições pet-friendly a melhor das opiniões sobre a família e muito especialmente sobre esta tendência de receber animais em seus apartamentos, hotéis, cabanas, etc. Isto fará com que esta nova atitude, que beneficia tanto os animais quanto seus responsáveis, cresça cada vez mais.

Tradução de Nelson Paim 

Fonte: Mercado


Nota do Olhar Animal: Ótimo que as hospedagens estejam receptivas aos animais. Isto pode até incentivar as adoções. Por outro lado, as companhias aéreas continuam sendo responsáveis por danos aos bichos: animais que morrem, que se perdem em aeroportos e por aí vai.

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