Crescem denúncias de maus-tratos em Fortaleza e região

Crescem denúncias de maus-tratos em Fortaleza e região

Número passou de cinco por semana em 2013, para 70 em 2014, segundo Sociedade Protetora Ambiental.

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O número de denúncias de maus-tratos contra animais aumentou de cinco para 70 por semana em relação ao ano passado, segundo a Sociedade Protetora Ambiental (SPA). Apesar disso, a quantidade de inquéritos policiais diminuiu. Conforme a entidade, as pessoas desistem quando o caso chega à delegacia.

Por dia, a SPA recebe de dez a 15 denúncias. Destas, apenas uma ou duas são atendidas, devido à falta de estrutura. No ano passado, o número variava entre cinco e oito denúncias por semana. O presidente da entidade, Márcio Sousa, explica que a quantidade de voluntários diminuiu 50%. Em 2013, eram 40, mas, neste ano, apenas 20 pessoas continuaram no trabalho.

Segundo Márcio, a maioria das denúncias é feita por vizinhos. “Existem muitos casos de brigas de vizinhos, em que o morador se vinga no animal do outro”, explica. Somente neste ano, entre janeiro e setembro, foram atendidas 70 ocorrências. Já em 2013, foram 110 durante os 12 meses.

O número de denúncias aumentou principalmente devido às redes sociais e aos casos de abandono de animais em praças públicas, conforme o presidente da SPA. “Ainda que o Centro de Zoonoses ofereça a castração de animais, muitos donos criam felinos e, quando os animais dão cria, eles abandonam”, explica.

Há também quem atue em prol da causa dos animais mesmo sem estar engajado em uma entidade. É o caso da universitária Dafanny Dantas, 24, que desde criança costuma alimentar bichos abandonados. “Procuro um lar e mantenho o animal até ele ser adotado. Também denuncio nas redes sociais quando vejo algo errado”, conta.

O policial militar do Batalhão de Choque, Francisco Fontenele, 28, também abraçou a causa. “Pego animais na rua, principalmente gatos, e divulgo nas redes sociais para encontrar um lar definitivo”, afirma.

Maus-tratos contra animais é crime de ação penal pública. Qualquer pessoa pode se dirigir à delegacia e registrar um Boletim de Ocorrência. No Ceará, não existe delegacia especializada em crimes contra animais. Entretanto, a Polícia Militar possui o Batalhão de Polícia Ambiental, que atende denúncias.

Neste ano, duas pessoas foram indiciadas por maus -ratos contra animais no Ceará. O primeiro caso ocorreu no Eusébio, na Região Metropolitana, onde um homem criava dois cachorros que, supostamente, estavam com calazar. Dois funcionários do Centro de Zoonoses pularam o muro da casa e levaram os animais, que foram mortos sem a autorização do dono. Um dos funcionários foi indiciado.

O segundo caso foi referente a um homem que matou um cachorro a tiros no bairro Presidente Keneddy, na Capital. Ele foi indiciado por disparo em via pública, maus-tratos, ocultação de vestígio após o crime e porte ilegal de arma.

Ações

Uma equipe de veterinários e profissionais da saúde do Centro de Zoonoses trabalha, há dois meses, nas praças e ruas da Capital para cuidar de animais abandonados. Já houve visitas aos bairros da Barra do Ceará, Vila do Mar, Cocó, Lagoa da Maraponga, Porangabuçu, Parque Gustavo Braga e Polo de Lazer da Sargento Hermínio.

Outro projeto que deve ser desenvolvido pelo Centro de Zoonoses é o “Castramóvel”, um centro cirúrgico instalado em um trailer para castrar animais e fazer exames. Segundo a coordenadora do Centro, Rosania Ramalho Garcia, a previsão de funcionamento é a partir do próximo ano, após a licitação para o veículo.

Mais informações

Centro de Zoonoses
(85) 3488-3329
Polícia Ambiental
3101.3577/3101.3545
Sociedade Protetora Ambiental
(85) 8833.0283/ (85) 9767.4651

Fonte: Diário do Nordeste

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