Criados para serem vendidos como carne, cães são resgatados na Ásia

Criados para serem vendidos como carne, cães são resgatados na Ásia
Um cachorro é resgatado de fazenda em Wonju, na Coreia do Sul (Fotos: KIM HONG-JI / REUTERS)

“Você está bem, você está bem”, diz a coordenadora de uma campanha da ONG Humane Society International (HSI), Lola Webber, a um cãozinho filhote nos seus braços, enquanto passa por cachorros latindo em gaiolas ao lado.

O filhote foi tirado de uma gaiola enferrujada em uma fazenda de carne de cachorro na Coreia do Sul e colocado em uma caixa plástica. Agora com o nome “Demi”, o cãozinho começa uma longa viagem a um abrigo no estado americano da Pensilvânia, onde será colocado para adoção.

Demi foi um dos dez cachorros resgatados nesta terça-feira em uma fazenda em Wonju, a 90 km da capital sul-coreana, Seul, onde 200 cães estavam sendo criados para o consumo humano. A campanha da HSI os resgata para que ganhem uma nova vida como animais de estimação.

Em fazendas do país, cachorros ficam em gaiolas acima de excrementos
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A fazenda foi a sexta que a organização conseguiu fechar desde 2015, e a ação sucede seis meses de negociação, exames médicos e vacinações.

— Assim que eles tiverem prontos para a adoção, percebemos que normalmente formam-se filas de pessoas nos Estados Unidos que querem acolher esses cachorros porque se envolvem com suas histórias tristes e comoventes — afirma Andrew Plumbly, outro membro da ONG.

O consumo da carne de cachorro está em declínio na Coreia do Sul, onde é comida principalmente por pessoas mais velhas e os cães estão se tornando cada vez mais populares como animais de estimação. Ainda assim, a HSI estima que existam 17 mil fazendas de criação de cachorros para consumo humano no país.

ONG espera que governo sul-coreano proíba a comercialização de carne de cachorro
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Uma vez que voos podem levar um número limitado de animais por dia, serão necessárias algumas semanas para a HSI resgatar todos os 200 cachorros da fazenda.

A higiene ali “não existe”, diz Plumbly sobre a criação dos cachorros, que estão sujeitos a mudanças extremas no clima, são alimentados apenas uma vez por dia e têm seus excrementos depositados abaixo de suas gaiolas, segundo a ONG.

O proprietário da fazenda, que trabalha no ramo há mais de 30 anos e pediu para não ser identificado, citou a saúde fraca como motivo para deixar o négocio.

A HSI espera que o governo proiba a criação de cães por sua carne antes que os Jogos Olímpicos de Inverno comecem na Coreia do Sul, em 2018.

Os cachorros têm uma longa viagem até chegarem aos Estados Unidos
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ONG estima que ainda existam 17 mil fazendas de criação de cães para consumo humano na Coreia do Sul
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Por Nataly Pak

Fonte: O Globo 

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