Crise econômica aumenta em 30% o abandono de animais em Belo Horizonte, MG

As ligações pedindo socorro para cachorros e gatos abandonados nas ruas de Belo Horizonte não param nas associações protetoras de animais. Na Cão Viver, a média de chamadas pulou de 15 para 50 por dia no último ano. Entre os que buscam cuidar dos bichos é consenso que o número de cachorros e gatos deixados pelas cidades aumentou.

“Com essa crise financeira, o abandono cresceu cerca de 30%. Só na Associação Protetora dos Animais em Contagem (Apac-MG), recebemos 15 pedidos de acolhimento por dia”, informou a presidente da Apac-MG e voluntária da Cão Viver, Val Consolação.

O abandono não é novidade em muitos municípios de Minas Gerais, mas o agravamento da crise financeira pode estar piorado o cenário. A justificativa é que os gastos com um animal de estimação variam entre R$ 200 e R$ 300 por mês. “Tem muita gente passando aperto, e, nessas situações, os animais são os primeiros a irem para a rua”, afirma Denise Menin, 61, uma das fundadoras da Cão Viver.

A Associação recebe pedidos para acolher animais doentes, velhos, filhotes, entre outros. No entanto, a Cão Viver e outras associações de proteção aos animais não dispõem de espaço físico para atender todos os pedidos. As vagas nesses locais, geralmente, estão sempre preenchidas. “A gente tem algumas vagas para casos de emergência”, explica Denise.

Além da questão econômica, donos abandonam seus animais de estimação porque alternaram para um apartamento menor, tiveram um filho, vão viajar ou simplesmente desistiram de cuidar do animal. “No período das férias, o abandono ainda cresce 10%. As pessoas não têm como pagar hotelzinho e deixam na rua”, deplora Val.

Censo realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em 2015 mostrou que há pelo menos 279 mil cachorros e 72 mil gatos domiciliados na cidade. A estimativa de ONGs de defesa dos animais é que 10% deste montante (cerca de 35,1 mil) vivam nas ruas, sem tutor.

A prefeitura informou que recolhe cachorros e gatos nas ruas mediante solicitação da população. Mensalmente, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) recolhe uma média de 260 animais, entre cachorros e gatos.

Sem abrigo. Em 2016, foram resgatados 2.326 cachorros e 762 gatos pela PBH. Porém, somente 675 animais foram adotados. Os outros voltaram para as ruas ou para as casas de seus donos. Após o recolhimento, o proprietário tem dois dias para procurar o animal, após, ele é colocado para a adoção por um período de 15 a 20 dias. Aqueles que não conseguem um lar, são deixados próximo aos locais onde foram resgatados “para que não perca o vínculo com a comunidade”.

No Centro de Controle de Zoonoses, os animais passam por uma consulta veterinária; recebem tratamento contra pulgas, carrapatos e vermes; e são vacinados contra a raiva e microchipados. Os cachorros passam por testes sorológicos para a leishmaniose visceral.

Iniciativa

Ajuda. O Centro de Controle de Zoonoses e Endemias de Betim firmou parceria com a Sociedade Protetora dos Animais da cidade. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos animais resgatados nas ruas.

Saiba Mais 

Recolhimento. O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) é responsável pelo recolhimento e pela avaliação de animais em situação de rua. A prioridade é para os que estão feridos ou que tenham atacado alguém. O resgate dos atendimentos é feito mediante solicitação da população por meio dos telefones (31) 3277-7413, (31) 3277-7411 e (31) 3277-7414.

Legislação. Segundo lei municipal, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não tem autorização para recolher animais que estão em propriedades particulares, a não ser no caso de cachorros que, comprovadamente, representam risco à população.

Adoção. A adoção de cachorros e gatos acontece no CCZ (rua Edna Quintel, 173, no São Bernardo, na Regional Norte). Interessados podem comparecer ao local de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. A prefeitura realiza feiras de adoção.

Campanha. Para inibir o abandono de animais, o CCZ realiza palestras em escolas e treinamento de agentes de zoonoses para orientar a população sobre guarda responsável, além da distribuição de panfletos.

Diamantina

Grupo denuncia mortes de cachorros

O desaparecimento de pelo menos cinco cachorros das ruas de Diamantina, no Vale do Jequitinhonha, pode ter relação com uma “higienização para o Carnaval”, segundo o Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA). Conforme o grupo, testemunhas teriam visto agentes do setor de zoonoses da prefeitura recolhendo os bichos. Fotos encaminhadas para o MMDA mostram cachorros mortos no lixão da cidade.

Segundo a coordenadora do MMDA, Adriana Araújo, o movimento recebeu informações de que os animais que desapareceram eram saudáveis, castrados e não apresentavam sinais de leishmaniose. “Os cachorros eram tutelados pela comunidade e tinham, inclusive, nomes”, informou. A coordenadora disse que denúncias de desaparecimento de animais são comuns na cidade, especialmente perto de datas festivas.

O MMDA informou ainda que enviaria fotos e faria uma denúncia ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Até o fechamento desta edição, o MPMG não havia recebido a manifestação do movimento.

A prefeitura de Diamantina alegou que os animais submetidos à eutanásia são os que obtiveram resultado positivo para leishmaniose no teste rápido e, posteriormente, na sorologia, que é analisada pela Fundação Ezequiel Dias. O animal só é sacrificado, conforme a prefeitura, após a assinatura de Termo de Eutanásia por proprietário e/ou responsável pelo animal. (AD)

Fonte: Boa Informação (com informações O Tempo)

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