De araras a onça, motorista já flagrou mais de 280 atropelamentos na rodovia

De araras a onça, motorista já flagrou mais de 280 atropelamentos na rodovia
Tamanduá-mirim atropelado as margens da rodovia. (Foto: Flávio Rodrigues)

Os casos de atropelamento de animais nas rodovias de Mato Grosso do Sul são cada dia mais divulgados nas redes sociais. De araras a onças, a fauna do cerrado e do pantanal é diariamente morta enquanto tenta atravessar a pista. Para quem vive de rodar pelo Estado a cena é corriqueira e a quantidade assusta.

É assim com Flávio Rodrigues, motorista de transporte de turismo, que em oito meses registrou mais de 280 atropelamentos por onde passou. Os pontos críticos, segundo ele, são as rodovias que levam os turistas as belezas do pantanal e do cerrado. “Dentro de Bonito, Anastácio e Aquidauana, em Corumbá, na Serra da Bodoquena”.

Na MS-419, que liga Bonito a Anastácio, Flávio encontrou três araras-canindé atropeladas. No vídeo gravado por ele, conta que as aves foram atingidas por um caminhão. “Uma cena muito triste de se ver”. Na rodovia entre Bodoquena e Miranda, o flagrante foi de uma jaguatirica. Na mesma região, ele também encontrou uma anta, ainda filhote, morta.

Na contagem feita por ele no dia a dia nas estradas, a quantidade de animais mortos assusta. “Tamanduá-bandeira já vi mais de 100. Antas vi 25, jacarés 15, lobinhos 80, tamanduá-mirim 60 e quatro mãos-peladas, que são mais difíceis de se ver. Onça eu já vi três, duas pintadas e uma parda, aí vai cada vez mais acabando”, lamenta.

Para Flávio, a alta velocidade nas rodovias é o principal motivo para tantas mortes. A solução, conta ele, são redutores e a criação de passarelas para os animais ao longo das estradas. “Precisamos urgentemente de redutores de velocidade ou alimentar os radares móveis para alerta sobre a presença de animais nas margens das rodovias, com câmeras ao longo da estrada para monitorar a velocidade e ultrapassagens perigosas”.

Em entrevista ao Campo Grande News, o tenente-coronel da PMA (Polícia Militar Ambiental), Edmilson Queiroz, reforçou que os índices de atropelamento nas rodovias de Mato Grosso do Sul são altos justamente por elas cortarem reservas ambientais. Com isso, os animais são forçados a atravessar a pista para migrar e acabam atingidos pelos carros.

“Precisamos da sensibilização dos motoristas, para manter a velocidade da via, diminuir quando ver o animal. Até a noite você percebe a claridade do olho do animal por causa do farou, se você tiver cuidado evita muito atropelamento. Evita risco para sua família, se estiver na velocidade da via, e evita risco para os animais”, destacou o tenente-coronel.

 

Por Geyse Garnes 

Fonte: Campo Grande News 

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