Defensoria do RS cobra R$ 50 milhões da Cobasi após morte de 40 animais

Defensoria do RS cobra R$ 50 milhões da Cobasi após morte de 40 animais
Durante protesto por justiça climática, realizado nesta sexta-feira, no centro de Porto Alegre, manifestantes levaram sacola da Cobasi respingada com tinta vermelha | Foto: Camila Cunha

As imagens dos animais mortos sendo retirados de pet shops em Porto Alegre fazem parte do rol das cenas que causaram espanto, tristeza e indignação, durante a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul, no início do mês de maio.

Em resposta a esses episódios, a Defensoria Pública do Estado do RS ajuizou ação milionária contra a Cobasi. A rede de pet shop que deixou animais dentro de duas lojas na Capital – uma no subsolo do Shopping Praia de Belas e outra na Avenida Brasil – enquanto as águas subiam. Foram retirados mais de 40 animais vítimas do alagamento, nas duas unidades da marca.

A Defensoria Pública exige da Cobasi uma indenização de R$ 50 milhões por danos ambientais, à saúde pública, psicológicos à coletividade e punitivos. Segundo a instituição, o valor representa menos de 2% do faturamento anual da empresa, que é de R$ 3 bilhões. A ação também requer que a loja seja proibida de comercializar animais, além de proibir o uso de gaiolas fixas.

Na loja situada no shopping Praia de Belas, dezenas de aves, peixes e roedores foram deixados durante a inundação que começou no dia 3 de maio. Segundo testemunhas, mesmo com o fechamento do shopping neste dia, ainda era possível acessar a loja nos dias seguintes e fazer a retirada dos animais.

De acordo com o defensor público dirigente do Núcleo de Defesa Ambiental da DPE, João Otávio Carmona Paz, que assina a ação, “fica evidente que a requerida teve cinco dias para tirar os animais de forma segura. Porém, mesmo observando o nível da água subir, nada fez. Nenhuma testemunha menciona ter visto algum funcionário da loja ir até o local conferir os animais, sequer para ver se tinham comida e água”.

Impacto na saúde pública

O defensor ainda considerou que o contato de animais com água de esgoto infectada propicia a contaminação por leptospirose, raiva, hepatite, entre outras doenças. E essa mesma água escoou pela cidade.

“A comunidade porto-alegrense, gaúcha e brasileira foi exposta a imagens terríveis de cadáveres boiando em um shopping center, imagens que remetiam diretamente ao cruel abandono por parte de seus tutores. Além disso, a pessoa jurídica atingiu gravemente a saúde pública. A decomposição dos cadáveres expôs e ainda está expondo pessoas a diversas doenças”, disse Paz.

Resposta da Cobasi

Em nota divulgada no dia 17 de maio, a Cobasi afirmou que houve tentativas de acessar a loja, mas o nível da água impediu a entrada. A empresa comunicou a perda dos animais e afirmou que eles foram deixados seguros, com recursos para sobrevivência, esperando um retorno breve.

No dia 19 de maio, o juiz plantonista do Foro Central de Porto Alegre, Jaime Freitas da Silva, determinou a entrada imediata de ativistas para verificar a existência de animais vivos na loja do shopping.

A assessoria de imprensa da Cobasi foi procurada sobre a ação da Defensoria Pública do RS, mas não se posicionou até a publicação desta matéria.

Por Paula Maia

Fonte: Correio do Povo

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.