Demora do Zoonoses em atender cão deixa moradores inseguros em Mogi da Cruzes, SP

Por Danilo Sans

Um cachorro abandonado nas proximidades da Rodovia Mogi-Taiaçupeba mudou a rotina de uma família de sitiantes do Distrito. O animal tomou conta do portão e só permite que alguém entre ou saia depois de ganhar um agrado – uma coxa de frango ou um pedaço de carne de porco. Isso já dura quase duas semanas e mostra a dificuldade que a população tem em lidar com situações do tipo. Sem ajuda do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), restou aos moradores a tarefa de garantir a própria segurança e também a integridade física do animal.

O abandono de animais parece ter se tornado comum na Cidade. Somente a ONG Adote Já recebe cerca de 200 pedidos de resgate por dia, segundo disse a vereadora Ana Karina Pirillo (PSD), responsável pela entidade. Ela diz que esse tipo de denúncia é comum e, na maioria das vezes, infundada. “A gente chega no lugar e vê que o cachorro é um doce”, ressalta, dizendo que há cerca de 25 mil animais abandonados nas ruas da Cidade.

O caseiro do sítio, Francisco Pedro Saraiva, de 60 anos, diz que já foi atacado ao sair de casa. “Foi uma mordida de leve, mas a gente fica com medo por causa das visitas”, completa. Eles chegaram a pensar em adotá-lo, mas consideraram que a aparente agressividade do cachorro abandonado o torna incompatível com os demais animais da família.

“Já falei com a Zoonoses, mas disseram que o problema é todo meu”, lamenta Francisco. A mulher dele, Maria do Socorro Lacerda, de 53 anos, destaca que o objetivo é garantir a segurança da família e do próprio cachorro. “Se alguém quisesse fazer algum mal para ele, já teria feito quando meu marido foi mordido. Mas não é isso. A gente não consegue sair de casa. Eu deixei os gatos todos trancados e estou com medo de que ele ataque meus outros cachorros. Não sei mais o que fazer”, relata.

Conforme explica Karina Pirillo, quando um cachorro estabelece uma ligação com determinado local, ele acaba se tornando territorialista. “Ele não é mal, só está defendendo o território. Às vezes está assim por medo”, acrescenta. Ela diz que o número de animais abandonados é muito grande e que a situação tende a piorar, porque não há como abrigar todos. “A cada 10 cachorros que nascem, a gente consegue lar para um. Outros nove vão pra rua porque as ONGs estão lotadas, os protetores e o CCZ também”, explica.

Um dado positivo: Karina afirma que a situação tem despertado o interesse da população pelos “cães comunitários” – quando uma pessoa se responsabiliza formalmente por um animal de rua. É o que acontece, por exemplo, com os cachorros do Terminal Rodoviário Geraldo Scavone, que recebem os cuidados dos taxistas.

Em nota, o Centro de Controle de Zoonoses diz que realiza o recolhimento de animais que representam risco à saúde pública e que o protocolo de atendimento feito pela Ouvidoria de Saúde (pelo telefone 162) sobre o caso específico já está na programação de atendimento.

“Esclarecemos que o recolhimento de animais pela Divisão de Controle de Zoonoses é seletivo e efetuado nos casos de agressão comprovada com laudo médico da vítima, invasão a instituições públicas ou locais em situação de risco à saúde pública, bem como nos casos de animais em estado de sofrimento irrecuperável”, continua a nota.

Fonte: O Diário de Mogi


Nota do Olhar Animal: Mesmo que arrume pretextos para não atuar na questão dos cães abandonados, eles são, sim, reposnsabilidade da prefeitura. Se não das autoridades de saúde, que tem preferido vergonhosamente lavar as mãos em relação ao problema, é assunto para o órgão ambiental. Caso a prefeitura se recuse a agir, cabe ao Ministério Público tomar as devidas providencias legais, incitado por ONGs ou mesmo pelos cidadãos.

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