Dente de onça, chifre de rinoceronte e mais: crença em afrodisíacos motiva caça e tráfico de animais

Dente de onça, chifre de rinoceronte e mais: crença em afrodisíacos motiva caça e tráfico de animais
Barbatanas de tubarão apreendidas em Santa Catarina — Foto: IBAMA/Divulgação

Dentes, pele, penas e barbatanas são alguns dos itens cobiçados que levam ao tráfico de animais ao redor do mundo. Os motivos variam e incluem desde status social até a crença, sem evidência científica, de que possuem poderes afrodisíacos.

🚨 Segundo a ONG WWF, o Brasil é um dos países que mais exportam animais silvestres ilegalmente. Esse tipo de tráfico é considerado a terceira maior atividade ilegal do mundo, depois das armas e das drogas.

VÍDEO: Crença em afrodisíacos motiva caça e tráfico de animais

🦈 Contexto: Nesta segunda-feira (19), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que apreendeu 28,7 toneladas de barbatanas de tubarão, o que representa a morte estimada de 10 mil tubarões, cuja pesca é proibida no país.

As barbatanas encontradas são de tubarões azul e anequim, também conhecidos como Mako, que entrou na lista de animais ameaçados em extinção em 22 de maio.

As barbatanas seriam levadas para a Ásia, onde são consideradas iguarias de alto valor e representam sinal de status e riqueza. A sopa de barbatana de tubarão é considerada ser um estimulante sexual.

Essa prática é tão comum que tem até um nome, Shark Finning, que nada mais é do que a remoção das barbatanas dos tubarões e a devolução deles para o mar. Geralmente, o tubarão é jogado ainda vivo de volta para a água. Como ele não consegue nadar sem as barbatanas, afunda e morre.

— Paulo Jubilut, biólogo e mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental

Outros animais também são alvo de tráfico sob diferentes pretextos:

Onça-pintada

Uma onça-pintada no Pantanal mato-grossense, em setembro de 2020. — Foto: Leandro Cagiano/Greenpeace
Uma onça-pintada no Pantanal mato-grossense, em setembro de 2020. — Foto: Leandro Cagiano/Greenpeace

O tráfico ilegal de partes de onças-pintadas representa uma grande ameaça a esse felino. As presas (caninos) são enviadas especialmente da Bolívia à Ásia, principalmente à China, em razão de seu apelo afrodisíaco.

Além das presas, as onças são caçadas por seus ossos, pele e órgãos genitais, que são usados ​​na medicina chinesa tradicional ou como amuletos ou joias.

“O que foi o precursor (na caça das onças foi) a crença dos chineses (no poder afrodisíaco dos tigres). Conforme os tigres foram ficando escassos, começou esse tráfico de partes das onças para serem mandadas lá pra China, com o propósito de consumo para esses fins absolutamente fictícios e zero científicos”, comenta Lilian Rampin, bióloga da Associação Onçafari.

Rinocerontes

Rinoceronte negro, no Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia — Foto: Globo Repórter
Rinoceronte negro, no Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia — Foto: Globo Repórter

Rinocerontes são caçados e têm seus chifres serrados e vendidos, principalmente, para a Ásia.

Os consumidores vietnamitas, tailandeses e chineses atribuem ao chifre propriedades afrodisíacas e médicas, em particular contra o câncer.

Não há nenhuma evidência científica de que os chifres – feitos de queratina, o mesmo material que reveste as unhas e o cabelo – tenham alguma propriedade medicinal.

Elefantes

Elefante no Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia — Foto: Globo Repórter
Elefante no Parque Nacional do Serengeti, na Tanzânia — Foto: Globo Repórter

Elefantes são mortos para que seus enormes dentes de marfim sejam usados, principalmente, para a produção de esculturas e artesanato.

Pangolim

Pangolins in Crisis (Pangolins em Crise) por Brent Stirton ganhou o prêmio na categoria 'Mundo Natural e Vida Selvagem' — Foto: Brent Stirton/Sony World Photography Awards 2020
Pangolins in Crisis (Pangolins em Crise) por Brent Stirton ganhou o prêmio na categoria ‘Mundo Natural e Vida Selvagem’ — Foto: Brent Stirton/Sony World Photography Awards 2020

O pangolim, que tem uma língua maior que seu próprio corpo, coberto de escamas, e se enrola todo, parecendo uma bola, é um dos mamíferos mais traficados no mundo.

Todo ano, milhares de pangolins são retirados de seu meio natural e enviados à China e ao Vietnã. Nesses dois países, a carne dos pangolins é considerada uma iguaria e tem até restaurante que oferece levar um animal vivo para a mesa do cliente, onde a garganta do pangolim seria cortada e o sangue dele servido como afrodisíaco.

Os produtos com as escamas do animal também são vendidos como cura para tudo, de câncer à acne, passando por deficiência de leite materno.

Impacto na conservação das espécies

A quantidade de animais retirados da natureza para venda ilegal interfere no status de conservação das espécies. Entre os principais alvos estão as aves, onças, macacos, cobras, tartarugas, peixes, insetos e aranhas.

Veja os “motivos” do tráfico, segundo o Renctas (Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres):

Aves

Além do comércio ilegal do animal vivo, os traficantes comercializam as penas, couros, ovos e outras partes das aves.

Répteis

A pele dos répteis traz retorno aos traficantes. As peles de crocodilos, cobras e lagartos são utilizadas em sapatos, bolsas, roupas, malas, cintos, pulseiras de relógios. Os répteis também são comercializados no mercado “pet”, de animais de estimação. A jiboia, por exemplo, é a cobra mais popular como “pet” nos Estados Unidos.

Felinos

Os felinos têm sido caçados por suas peles, presas, garras e outras partes. A onça-pintada está nesta lista. Elas são caçadas por suas presas (dentes), ossos, pele e órgãos genitais, que são usados na medicina tradicional ou como amuletos ou joias.

Tipos de tráfico

  • Animais para colecionadores particulares: quanto mais raro for o animal, maior é o seu valor de mercado.
  • Animais para fins científicos: espécies fornecem substâncias químicas, que servem como base para a pesquisa e produção de medicamentos.
  • Animais pet: modalidade que mais incentiva o tráfico de animais silvestres no Brasil.
  • Produtos de fauna: couros, peles, penas, garras e presas são vendidos para o mercado de moda e souvenir para turistas.

Fonte: g1

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