Denúncias contra maus-tratos cresceram 60% no ano passado

Denúncias contra maus-tratos cresceram 60% no ano passado
Nazareth destaca que, apesar de avanços, faltam políticas públicas de proteção aos animais. (Foto: Divulgação Aprai / Facebook)

A Associação Protetora dos Animais de Indaiatuba (Aprai) divulgou esta semana o balanço das atividades referente a 2016. Segundo a entidade, o número de ocorrências de maus-tratos cresceu mais de 60%, passando de 270 para 456.

De acordo com Nazareth Silva, presidente da Aprai, este aumento pode ter um aspecto positivo. “É claro que não queremos que os maus-tratos aumentem, mas o resultado significa que houve mais denúncias, e isso quer dizer que as pessoas estão mais atentas, preocupadas com o bem-estar dos animais”, pontua.

Ela revela ainda que tem recebido diversos chamados da população, que busca esclarecer dúvidas sobre o que pode ser uma situação de abuso ou crime contra animais. “Muita gente liga na Associação dizendo ter visto determinado comportamento por parte de um tutor de cão ou gato, por exemplo, e pergunta se tal atitude representa maus-tratos. Ficamos felizes com ações assim, pois mostram que as pessoas estão se importando mais”, reforça Nazareth.

O balanço da Aprai contém dados dos últimos 16 anos de atividade e mostra ainda que, durante todo o ano passado, foram realizadas 290 castrações e 209 consultas. “Além da castração, nos empenhamos em outros procedimentos cirúrgicos, especialmente a ortopedia, já que são vários casos. A Associação consegue redução ou parcelamento dos custos veterinários, normalmente inacessíveis à boa parte da população; a Aprai intermedeia esses benefícios”, completa Nazareth.

O ano em que a ONG realizou mais castrações foi 2004, com o total de 863; em relação às consultas veterinárias, o maior número foi de 441, em 2005; já o recorde de maus-tratos registrados foi em 2016, e o menor foi em 2009, com 65 registros. “Só na primeira semana de 2017 já tivemos 12 denúncias”, destaca a protetora animal.

Políticas públicas

Nazareth fala sobre a expectativa em relação à atuação da nova administração municipal na causa animal. “Durante as campanhas, não vi nenhum candidato eleito que tenha se mostrado realmente engajado com o tema. Ainda é cedo para opinar, mas esperamos de verdade que eles olhem com mais sensibilidade para nossos animais e o trabalho dos protetores na cidade”, argumenta. Ela acrescenta que, apesar de alguns avanços, ainda faltam boas políticas públicas de proteção aos animais.

Questionada sobre o aumento expressivo dos casos de maus-tratos, Nazareth responde com equilíbrio. “Os maus-tratos contra animais sempre existiram, e sempre vão existir; eles podem diminuir, mas não vão acabar tendo em vista que há muita gente que ainda pensa que pode fazer o que quiser com o bicho só porque é o tutor. Acredito que o aumento do uso de drogas tem colaborado para agressões a animais domésticos – cerca de 30% das denúncias que nos chegam apontam para isso. Mas, nós estamos aqui trabalhando para melhorar a vida dos animais do município, e conscientizar as pessoas sobre os direitos deles à vida, à proteção e ao bem-estar”, conclui.

Por Adriana Brumer Lourencini

Fonte: Tribuna de Indaiá

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