Depois de romance ao estilo “A dama e o vagabundo”, cão é envenenado no São Lucas, em Belo Horizonte, MG

Depois de romance ao estilo “A dama e o vagabundo”, cão é envenenado no São Lucas, em Belo Horizonte, MG
Da Rua foi adotado há 13 anos por um vigilante (foto: Divulgação)

Depois de um romance ao estilo “A Dama e o Vagabundo”, filme americano de animação produzido pela Disney em 1955, um cão sem raça definida apareceu morto, possivelmente envenenado, em um caso que revoltou moradores das ruas Dante e Carlos Antonini, no Bairro São Lucas, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O animal era carinhosamente chamado de “Da Rua”.

O cão tinha um protetor, o vigilante David Pereira dos Santos, única pessoa de quem o animal aceitava alimento. Já carinho, Da Rua não recusava de ninguém. David conta que encontrou o cão na rua há 13 anos e deste então cuidava dele.

“Da Rua era meu amigo. Ele era quase um adulto quando eu o encontrei abandonado. Não tenho ideia de quem tenha feito uma maldade dessas com ele. O mesmo carinho que as pessoas da rua têm por mim, também tinham por ele. Estou totalmente descrente no ser humano”, lamentou o vigilante.

Moradora da rua onde o cão vivia, a estudante de veterinária Vanessa Vaz também fez um desabafo nas redes sociais. “Um inútil, imoral, aético, assassino, cruel e covarde deu veneno ao animal, que era dócil. Nunca houve relatos de agressividade dele. Da Rua ficou famoso depois que estrelou com a minha cachorrinha Vênus, da raça Lhasa Apso, reportagem exibida em dois programas de televisão. Vênus era o amor platônico de Da Rua”, contou a estudante.

Vênus era a paixão de Da Rua, segundo a dona da cadela (foto: Divulgação)
Vênus era a paixão de Da Rua, segundo a dona da cadela (foto: Divulgação)

Segundo a estudante, Vênus e Da Rua eram amigos desde que o cão foi acolhido pelo vigilante. “Da Rua era esperto, tinha uma pelagem preta com caramelo. Ele passeava entre os carros com a destreza de um bailarino. Era o mascote das ruas do bairro. Não latia, era calmo, dócil e ficava o tempo todo andando pelas ruas, para cá e para lá”, conta Vanessa.

O vigilante David, segundo a estudante, treinou Da Rua para receber ração somente das mãos dele. “Comprovo isso. Nos vários cios da Vênus, até ela ser castrada, ele marcava ponto uns seis dias seguidos na porta do meu prédio. Eu descia, levava ração, biscoitos, petiscos e água, mas ele negava tudo. Já dei banho nele, dei presente de natal, coleira para matar pulgas e carrapatos. Na sexta-feira

Da Rua foi adotado há 13 anos por um vigilante (foto: Divulgação)
Da Rua foi adotado há 13 anos por um vigilante (foto: Divulgação)

última, ele brincou com a Vênus durante o passeio da tarde dela. Foi a última vez”, lamenta Vanessa.

O “romance” de Vênus e Da Rua não deu certo, segundo Vanessa, pois os dois eram de raças diferentes e ele, três vezes maior do que ela. Vanessa não se conforma com a morte do cão. “Fico me perguntando o que uma mente sociopata dessas pensa ao planejar uma ação cruel e covarde assim. Se não gosta de animais, evite. Se o cão o incomodava, falasse isso ao dono dele”, desabafa a universitária.

Ainda de acordo com a estudante, todo mundo da região conhecia Da Rua e sabia onde encontrá-lo. “Cães são os seres mais enigmáticos do mundo. Você pode até maltratá-los, mas se chamá-los de novo, com carinho, eles voltam a se aproximar, mesmo sabendo dos riscos. Fica a dica. O mundo precisa de mais amor, não de morte, não de assassinato de inocentes”, reagiu Vanessa.

Por Pedro Ferreira

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