Depois de um ano de reabilitação, condor é libertado em Salta, na Argentina

Depois de um ano de reabilitação, condor é libertado em Salta, na Argentina
Condor foi libertado em lugar previamente selecionado pelos especialista em Seclantás, em Salta, depois de um ano de reabilitação. (Foto: Télam)

Em meio aos vales de Calchaquíes, em Salta, no norte da Argentina, próximo de onde foi encontrado ferido por um tiro de espingarda na cara, que o deixou à beira da morte, o condor andino foi liberado recentemente, depois de sua total  recuperação no Ecoparque portenho, de onde foi transportado por um grupo de  veterinários.
Luracatao, batizado com este nome em homenagem ao povoado próximo de onde que foi encontrado, viajou quase 1600 quilômetros, que separam Buenos Aires de Salta, para reencontrar os membros de sua família.  E foi exatamente que aconteceu: minutos depois de ser solto, quando já era possível vê-lo no céu, outro gavião se aproximou em um voo circular, um ritual muito comum entre estas aves. Alguns moradores ficaram animados e até arriscaram dizer que quem o acompanhava era sua parceria, uma vez que o gavião é um animal monogâmico.

Antes que a gaiola subisse o pico da montanha na parada de Brealito, de onde se pode ver refletida a lagoa, as comunidades diaguitas e calchaquíes realizaram uma cerimônia em homenagem ao condor, a quem consideraram como sendo um mensageiro.

As danças típicas, mensagens na língua quéchua e oferendas à Pachamama (nome dado “mãe terra, ou mãe natureza” em tradução livre) prepararam o ambiente para efetuar a liberação de Lucaratao.

“É o 161◦ condor que libertamos dos 191 que foram resgatados”, explicou Luiz Jacome, diretor do Proyecto Conservación Cóndor Andino  e presidente da Fundación Bioandina Argentina, que teve uma participação ativa em toda a recuperação da ave. “Alguns exemplares não conseguem se inserir novamente em seu ambiente natural porque foram muito feridos e não conseguem se recuperar definitivamente,” acrescentou.

O condor Luracatao abre suas asas antes de voar em liberdade. (Foto: La Nacion/Mauricio Giambartolomei)
O condor Luracatao abre suas asas antes de voar em liberdade. (Foto: La Nacion/Mauricio Giambartolomei)

No caso de Luracatao encontrado em outubro de 2015 por Silvio López, um operário da região, que não conteve as lágrimas de emoção ao ver o condor voar livremente.  Quando o encontrou, ele tinha um ferimento grave provocado por espingarda. Os tiros tinham afetado a cara e outras partes de seu corpo; o chumbo em seu sangue comprometeu a sua recuperação.

“Eu o vi deitado no chão, o peguei e o levei à vila para avisar a polícia. Estava muito mal, quase morto. É muito comum ver gaviões nesta região, principalmente no alto da montanha”, disse López, mostrando os morros localizados entre Luracatao e Seclantas.

Dança da libertação

Freire junto ao vice-governador de Salta, Miguel Angel Issa,carregan o condor antes de ser solto. (Foto: La Nacion)
Freire junto ao vice-governador de Salta, Miguel Angel Issa,carregan o condor antes de ser solto. (Foto: La Nacion)

O condor recuperado mostrava, dentro da gaiola em que foi transportado, ansiedade para voar novamente em liberdade. O lugar foi escolhido pelos especialistas depois de uma cuidadosa exploração, que se estendeu durante toda a semana.

Diante do silêncio e da expectativa dos habitantes da local, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas, a ave deu seus primeiros passos, abriu suas asas e caminhou com tranquilidade durante vários minutos como se estivesse escolhendo o momento preciso para regressar ao lar. Depois, subiu em uma das rochas mais altas e se lançou no vazio.

Além da Fundación Bioandina e o Ecoparque da Ciudad também participaram da recuperação, em diferentes etapas, a Secretaria e o Ministério de Ambiente de Salta e a Fundação Aerolíneas Argentinas.

Trata-se da primeira libertação em ambiente natural desde que o governo portenho assumiu o controle do ex-zoológico, depois do traslado de corujas, macacos e outras aves de rapina. “Não há bandeiras políticas para a libertação de animal e, sim, o compromisso das pessoas. Isto é um símbolo do que buscamos com o projeto Ecoparque”, sintetizou o ministro da Modernização, Inovação e Tecnologia, Andy Freire. O funcionário esteve acompanhado pelo vice-governador saltenho, Miguel Angel Issa, a secretária de Ambiente, Irene Soler, e o prefeito de Seclantás, Walter Abán.

Por Mauricio Giambartolomei / Tradução de Katia Buffolo

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