Deputados vão investigar denúncias de irregularidades no zoo de Salvador

Por Daniela Pereira

Após denúncia exclusiva feita pela Tribuna sobre os maus-tratos aos animais ocorridos no zoológico de Salvador, deputados baianos se mobilizaram para resolver a situação.

O deputado estadual e titular da comissão do Meio Ambiente, Seca e Recursos Hídricos, Marquinhos Vianna (PV), disse que o coordenador do zoológico de Salvador já havia sido chamado para debater as condições em que os animais do local são abrigados e afirmou que pretende apurar as denúncias.

Já o deputado estadual eleito, Marcell Moraes (PV), afirmou já ter denunciado as irregularidades ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) e ao Inema, mas afirma que nunca houve qualquer resposta do órgão.

A Tribuna fez contato com a assessoria do Ministério Público da Bahia (MP) para saber mais informações sobre as investigações oficiais ao Parque Zoobotânico Getúlio Vargas, localizado em Ondina, mas não obteve retorno.

Apesar de o deputado Marquinhos Vianna (PV) garantir ter chamado o coordenador do zoológico para debater a situação, o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) negou as informações. “Ele foi chamado pouco antes das eleições, mas como entramos em campanha não o recebemos. Na próxima quarta-feira teremos nova reunião e ele será chamado”, garantiu o deputado.

A repercussão foi iniciada após a divulgação de uma série de denúncias contra o local, entre elas, um curso de técnicas de manejo de répteis exóticos e animais silvestres, que seria ministrado dentro do Zoológico, pelo próprio coordenador do local, através da cobrança de uma taxa de inscrição de R$ 400 reais.

O curso é realizado por uma empresa particular, do próprio coordenador, e não tem ligação nenhuma com o zoo. “Quando você usa material do estado, você tem que ter autorização. É uso da máquina pública para beneficio próprio. Foram cobrados R$ 400 reais de inscrição nesse curso, e esse dinheiro não foi repassado em forma de benefício ao zoológico. Os estudantes usaram os animais para estudo, sem nenhuma autorização do Inema ou do Ibama, isso causou um estresse tremendo aos animais,” contou uma das fontes, que preferiu o anonimato.

Ainda de acordo com as fontes, animais como Mico-Leão-Dourado estariam trancafiados em gaiolas proporcionais a passarinhos, em um local chamado de quarentena.

“A quarentena é a caixa preta do zoo e ninguém pode entrar. O motivo é que lá tem animais sadios em uma zona onde doentes estão também. Os bichos estão em gaiolas, enclausurados. Para se ter uma ideia, tem mico leão dourado em gaiola de passarinho e jacaré do papo amarelo em um tanque de mil litros, com apenas 30 cm de água cobrindo seu corpo, que não toma sol, fica eternamente na mesma posição, isso já tem meses,” relatou o denunciante, na edição de ontem da Tribuna.

Já o Inema explicou que na Quarentena não existe mico-leão-dourado e o jacaré está em tratamento imerso em água com antibiótico.

Fonte: Tribuna da Bahia

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.