Desmatamento faz capivaras ‘migrarem’ para conjunto residencial em Manaus, AM

Desmatamento faz capivaras ‘migrarem’ para conjunto residencial em Manaus, AM

Biólogo disse que a redução do habitat natural de animais silvestres os aproximam dos espaços verdes em bairros da cidade.

AM capivaras cidade

Por Clarice Manhã

Há duas semanas moradores do Conjunto Meridional, no Parque 10, zona centro-sul, se surpreendem com a ‘visita’ noturna de capivaras na área verde do residencial. Os animais saem da mata, reviram lixeiras em busca de comida e invadem a pista, sob o risco de atropelamento.

A dona de casa Rosa Ladeira, 55, mora no conjunto há 20 anos diz que capivaras nunca haviam aparecido ali. Ela conta que os moradores já estão habituados a presença de garças, gaviões, iguanas e até ao aparecimento de jacarés, mas destaca que a aparição de capivaras era ‘inédita’. “Virou uma atração turística, as famílias se reúnem quando anoitece, esperando para ver as capivaras”, disse.

A doméstica Maria Celestiano, que trabalha em uma casa no conjunto, afirma que se assustou quando encontrou uma capivara pela primeira vez. Ela avalia que são pelo menos seis animais que frequentam o local. “Agora já estou acostumada. Mas a primeira vez me assustei. Estava indo para casa, depois do trabalho, e encontrei uma capivara no caminho. De longe parecia cachorro, mas quando cheguei perto vi que era uma capivara”.

Para o biólogo Caio César Rocha, da Universidade Federal do Amazonas, o aparecimento de animais silvestres na área urbana é reflexo do aumento do desmatamento na cidade. Pressionados pela redução do habitat natural, esses animais se aproximam dos espaços verdes nos bairros residenciais. “Temos uma grande área de preservação no Parque 10, o Mindu, então é muito provável que as capivaras estejam saindo de lá, talvez até fugindo do calor ou da fumaça”, disse.

Segundo o biólogo, existem outros conjuntos em Manaus, próximos de Áreas Permanentes de Preservação (APPs), onde os animais silvestres chegam perto das residências, e alerta para o perigo da captura. “O ideal é não interferir nem interagir muito de perto, porque pode ser perigoso tanto para a pessoa quanto para o animal”.

No conjunto Aquariquara, zona leste, os moradores dividem espaço com macacos, cobras, jacarés e tucanos. A representante comercial Denise Araújo conta que a aparição de capivaras é mais rara, mas acontece em algumas épocas do ano. “É muito bom morar na cidade mas poder aproveitar esse contato bem próximo com a fauna amazônica”.

Devolução

O Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) informou que chega a recolher até 70 animais silvestres em áreas residenciais, por mês, em diversos bairros da capital. São cobras, jacarés, tamanduás, macacos, em especial os sauins-de-coleira e preguiças, que saem da mata sob o risco de serem atropelados, agredidos ou ferir alguém.

A gerente de Fauna do Ipaam, Sônia Canto, orienta que a melhor alternativa é devolução do animal para a mata. “Estamos muito próximos da floresta, muito perto do habitat desses animais. Conforme o espaço deles diminui, seja pela cheia ou pelo desmatamento, é natural que eles busquem novos espaços”, informou.

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Fonte: D24am

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