Apenado dá os retoques finais em uma das casinhas construídas - Marcel Lovato

Detentos do Presídio de Encantado (RS) constroem casas para cachorros

Cinco detentos dos regimes fechado e semiaberto do Presídio Estadual de Encantado trabalham há três semanas na construção de casas para cães, nos fundos da casa prisional. Os abrigos serão destinados para animais pertencentes às famílias carentes do município, cães comunitários e aos resgatados pelo grupo Protetores Independentes dos Animais. Nesse caso, trata-se de voluntários que abrigam, em lares temporários, os cachorros que foram abandonados ou sofreram algum tipo de violência. Essa parceria faz parte do projeto “ReabilitaCão: Casinhas que reabilitam”.

De acordo com o chefe de segurança do presídio, Adriano Marques, os materiais utilizados para erguer as casinhas estão sendo doados por pessoas físicas e jurídicas da comunidade de Encantado e região. Os apenados participantes são escolhidos de acordo com o seu perfil e comportamento, além da devida autorização judicial para a realização da atividade. Ao oportunizar o trabalho, a intenção da administração é promover a reabilitação e ressocialização dos presos, bem como o desenvolvimento de habilidades que poderão se transformar em uma atividade econômica quando ganharem a liberdade. Marques destaca ainda que dessa forma preso se mantém ocupado.

Ganho duplo

Uma parte das casinhas será comercializada e cada presidiário receberá R$ 10 a cada unidade produzida, mesmo que não seja vendida. Esse valor será revertido em produtos de higiene pessoal e limpeza. Está prevista ainda a remição de pena, na qual a cada três dias trabalhados, um será reduzido na contagem final.

Outra parte do lucro vai ser destinado para a aquisição de mantimentos, utensílios e demais itens necessários para oferecer uma vida digna aos animais.

Transformação de realidades

Segundo a representante do Protetores Independentes dos Animais, Vitória Bortoletti, cerca de dez casinhas já estão prontas e os preços de cada uma delas vão variar de acordo com o tamanho. Além disso, podem ser doados materiais para confecção dos abrigos, como madeira, pregos, telhas e tintas, ainda que as latas já tenham sido utilizadas.

O projeto se baseou em uma iniciativa semelhante realizada em Pelotas. Vitória salientou que a causa envolve em torno de 20 voluntários e a escolha dos lares que vão receber as casinhas leva em conta a situação vivida pelo animal. “Vamos dar preferência para os cães que não possuem um abrigo ou têm casinhas muito danificadas”, explica.

Uma ação semelhante ocorreu no ano passado e na época o que se notou foi uma mudança de pensamento em parte das 17 famílias beneficiadas, todas do Bairro Navegantes, pois elas passaram a prestar mais atenção nos animais. “Depois da nossa visita, algumas compraram um pote para ração, por exemplo, melhoraram o espaço utilizado pelo cão. Passaram a ser mais conscientes. Esse é o nosso principal objetivo”, finalizou Vitória.

Detalhe

Quem estiver interessado em contribuir ou comprar as casinhas pode contatar a Vitória pelo telefone (51) 99756-5083 ou perfis Vitória Stürmer Bortoletti, no Facebook, e Vi Bortoletti, no Instagram.

Por Marcel Lovato

Fonte: Informativo

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.