Diante da escassez de carne nos EUA, americanos recorrem à caça durante a pandemia do coronavírus

Diante da escassez de carne nos EUA, americanos recorrem à caça durante a pandemia do coronavírus
Uma funcionária do açougue de um supermercado em Nova York: empresas alertam para a escassez de carne nos EUA Foto: LUCAS JACKSON / LUCAS JACKSON/REUTERS

Um número crescente de americanos estão caçando sua própria comida motivados pela pandemia do novo coronavírus, de acordo com dados oficiais e grupos de caça. Com alguns processadores de carne dos Estados Unidos interrompendo suas operações, por causa dos muitos afastamentos de funcionários doentes; empresas alertando para a escassez do produto; e mais tempo disponível e possivelmente menos dinheiro na mão das pessoas devido a paralisações e demissões, essa tem sido a saída para muita gente.

É o caso de David Elliot, de 37 anos, gerente da emergência de um hospital em Taos, no Novo México. Ele pensou pela primeira vez em atirar num alce para ajudar a alimentar parentes e amigos em janeiro, quando os EUA relataram seu primeiro caso de Covid-19. Elliot sempre quis caçar e, com a doença se espalhando, parecia não haver melhor época para tentar encher seu congelador com carne magra e criada ao ar livre.

Caçadores num parque nacional de Taos, no Novo México: aumento na procura por licenças. – Foto: Nathaniel Evans/via Reuters

Então, embora não possuísse um rifle nem nunca tivesse caçado animais grandes, colocou seu nome no sorteio anual de permissão para abater alces do estado. “Entendo que algumas pessoas podem ser movidas por chifres ou algum tipo de glória. Não quero fazer isso”, disse ele, que recebeu uma permissão premiada para atirar em uma fêmea de alce em uma área do condado de Taos, onde os rebanhos dos animais pastam em vastas planícies repletas de vulcões extintos.

As agências de caça e pesca de Minnesota ao Novo México relataram um aumento nas vendas de licenças, nos pedidos de permissão ou em ambos nesta primavera. “Indiana viu um salto de 28% nas vendas de licenças para abate de perus durante a primeira semana da temporada”, disse Marty Benson, porta-voz do Departamento de Recursos Naturais do estado.

Os fabricantes de armas de fogo registraram aumentos de vendas, e o FBI realizou 3,74 milhões de verificações de antecedentes em março, um recorde para qualquer mês. Isso ocorreu após um declínio de 255.000 no número de caçadores entre 2016 e 2020, com base nos dados da licença do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA, uma queda de 2%, à medida que menos jovens iniciaram a atividade, dizem os defensores da caça.

EUA têm 1.152.372 casos e 67.456 mortes por coronavírus, diz CDC

Hank Forester, da Quality Deer Management Association, um grupo de pesquisa e treinamento de caçadores, espera um ressurgimento depois que muitos americanos viram prateleiras de carne vazias no supermercado pela primeira vez em março e abril. “As pessoas estão começando a considerar a autossuficiência e de onde vem a comida”, disse Forester: “Somos todos caçadores natos”.

Alguns estados, como Washington e Illinois, fecharam áreas de caça estatais à medida que o vírus se espalhou, levando a Associação Nacional de Fuzileiros a pressionar os governadores a mantê-los abertos para permitir que as pessoas caçassem sua comida. As autoridades de Washington emitiram dez multas por caça clandestina entre 25 de março e 26 de abril, número bem maior que as três no mesmo período do ano anterior, informou o Departamento de Peixes e Vida Selvagem do estado.

Fonte: EUA têm 1.152.372 casos e 67.456 mortes por coronavírus, diz CDC

Fonte: Extra


Nota do Olhar Animal: Controlar a caça passa necessariamente pelo controle de armas. Este é um ponto que mexe com grandes interesses e um dos motivos para o retrocesso sobre a questão da caça também no Brasil, que tem em seu presidente um grande incentivador da matança.

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