Cartaz do Disque-Denúncia contra morte de macacos (Foto: Reprodução)

Disque-Denúncia faz campanha contra ataque a macacos no Rio de Janeiro

O Linha Verde, programa do Disque-Denúncia específico para crimes ambientais, está fazendo uma campanha contra o ataque a macacos. O serviço destaca que, ao contrário do que muita gente pensa, o animal não transmite febre amarela.

De acordo como o órgão, no ano passado, o registro foi de 9 mil denúncias. Quase metade deste número foi referente ao crime de maus-tratos contra animais, o mais denunciado na área do meio ambiente e o sexto mais denunciado dentre todos os crimes registrados pelo disque denúncia.

Este ano, já foram registradas 241 ocorrências de maus-tratos contra animais, sendo três contra macacos. No mesmo período do ano passado, foram 275 registros. As denúncias são encaminhadas para o Comando de Polícia Ambiental e para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente.

Maus-tratos contra animais é crime, de acordo com o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (9605/98). A pena prevista é de três meses a um ano de prisão, além do pagamento de uma multa. Em caso de morte do animal, a punição é aumentada de 1/6 a 1/3.

O programa Linha Verde pede que quem souber de algum episódio de morte ou agressão a macacos entre em contato através dos telefones 2253-1177 (capital), 0300-253-1177 (interior do estado, custo de ligação local) ou pelo aplicativo para celulares do Disque-Denúncia RJ”, onde é possível enviar fotos e vídeos, sempre com a garantia do anonimato. Qualquer outro crime contra o meio ambiente também pode ser denunciado.

MAIS DE CEM MACACOS MORTOS ESTE ANO

Somente este mês, 119 macacos mortos foram levados para o Instituto Jorge Vaitsman, órgão municipal responsável pela necrópsia de todos os primatas do estado. A média é de 4,5 por dia, bem maior que a registrada ao longo de todo o ano passado, que foi de 1,6. Apenas nesta quarta-feira, foram 15 os animais mortos recebidos pela instituição.

Funcionários estão assustados, já que pelo menos 50% dos animais têm sinais de envenenamento ou agressão, o que leva especialistas a acreditarem que o Rio de Janeiro começa a assistir a uma matança motivada por um grave engano: muitas pessoas pensam que primatas são transmissores da febre amarela.

Segundo a subsecretária municipal de vigilância, fiscalização sanitária e controle de zoonoses, Márcia Rolim, em todo o ano passado, foram registrados 180 macacos mortos no município, 42% destes com sinais de maus tratos. No estado, foram 602.

O Instituto Jorge Vaitsman, que fica na Mangueira, passou a receber, nas últimas duas semanas, muitos corpos de saguis, que têm grande circulação em áreas urbanas. Há até, entre os animais examinados, um mico-leão-dourado, espécie que corre risco de extinção.

Segundo funcionários, bananas com chumbinho, veneno usado para ratos, foram encontradas perto de primatas mortos em Valença, cidade fluminense mais afetada pela febre amarela. A Secretaria de Saúde do município já registrou 117 notificações e confirmou 14 casos, incluindo quatro que resultaram em óbitos.

— Está havendo um massacre. Chegam corpos de filhotes. O sagui é o mais comum. Trata-se de um animal pequeno que se aproxima das pessoas. É fácil matá-lo — lamenta Roberta Ribeiro, coordenadora do Laboratório Municipal de Saúde Pública de Vigilância do Instituto Jorge Vaitsman.

Não é de hoje que a relação entre o medo infundado da população e a morte dos primatas se mostra clara em números. Em janeiro do ano passado, o Instituto Jorge Vaitsman recebeu apenas sete corpos de macacos. Em março, quando foi confirmado o primeiro caso da doença no estado, em Casimiro de Abreu, chegaram 90 para exames.

MENOS PRIMATA, MAIS RISCOS

Pesquisadora da Fiocruz, Marcia Chame destaca que a morte de uma grande quantidade de macacos no estado aumenta os riscos de as pessoas contraírem febre amarela:

— É importante preservá-los porque eles são uma espécie de alerta, indicam que o vírus da doença está circulando, e, de certa forma, nos protegem contra a febre amarela. Com menos macacos, o Haemagogus e o Sabethes, os dois mosquitos transmissores, buscarão se alimentar do sangue de outros mamíferos, deixarão as copas das árvores e se aproximarão dos humanos. Além disso, os primatas são fundamentais para o equilíbrio ecológico, pois espalham sementes pelas matas.

Especialistas também alertam que a morte dos animais prejudica o sistema de vigilância contra a doença, pois sobrecarrega as equipes responsáveis pelas análises dos corpos e os agentes de vigilância sanitária encarregados de recolhê-los. Para piorar, dificulta o rastreamento do caminho percorrido pelo vírus.

—A máquina que analisa amostras de humanos e macacos é a mesma. A matança de animais diminui a capacidade de trabalho e desestabiliza o sistema de diagnóstico e vigilância — frisa o pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz Ricardo Lourenço.

Por João Paulo Saconi / Renan Rodrigues

Fonte: O Globo


Nota do Olhar Animal: Os macacos não são “sinalizadores” da febre amarela. Eles são VÍTIMAS e merecem providências para protegê-los por este motivo.

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