Distribuição de coleiras contra leishmaniose em bairros endêmicos começa em Três Lagoas, MG

Distribuição de coleiras contra leishmaniose em bairros endêmicos começa em Três Lagoas, MG

Por Tatiana Cestari  

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Inicia nos próximos dias em alguns bairros de Três Lagoas, a distribuição das coleiras, que tem como objetivo afastar dos cães sadios o mosquito contaminado pela leishmaniose. O projeto experimental faz parte de um estudo coordenado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Fiocruz do Rio de Janeiro, para testar a eficácia das coleiras e sendo comprovada, as coleiras serão distribuídas, gratuitamente, pelo Governo Federal, nos municípios onde a taxa de leishmaniose esteja alta.

De acordo com o diretor do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Três Lagoas, o médico veterinário Dr. AntonioEmpke, os bairros escolhidos para passarem pelos estudos são: Jardim Guanabara, São João, Vila Zucão e parte do São Carlos, que conforme ele, são os locais em que o índice da doença está mais alto. “As equipes do CCZ já estão sendo treinadas, e as coleiras estão para chegar. Tudo será monitorado pelo Ministério da Saúde”, informa Empke.

O diretor do Centro de Controle esclarece que os cães da Vila Piloto também entrarão no estudo, porém não receberão a coleira que leva uma dose de deltametrina a 4%, princípio ativo recomendado pela Organização Mundial da Saúde como uma das formas mais eficientes de controle da doença.

“O trabalho será da seguinte forma: os animais da Vila Piloto não receberão a coleira, já os cães do Guanabara, São João, Zucão e parte do São Carlos receberão. Durante 18 meses faremos a coleta de sangue de todos os cachorros dos referidos bairros, que estejam ou não com a coleira. Serão três coletas de sangue a cada seis meses somando à substituição da coleira por uma nova. Ao fim dos 18 meses, teremos dados de como a doença se comportou, ou seja, vamos comparar os resultados dos testes de leishmaniose entre os cães que receberam ou não a coleira e assim teremos o resultado da sua eficácia”, explica o médico veterinário, que cita que os exames ficam prontos em dois dias.

Todos os animais que forem comprovados por meio de exame a positividade da leishmaniose, serão recolhidos para eutanásia, salienta o diretor. “Caso o proprietário do cão queira, terá 15 dias para fazer a contra prova do exame e apresentá-lo, porém terá que custeá-lo. Caso o novo exame tenha como resultado a negatividade da leishmania, o CCZ permanece um período acompanhando o animal para constatar se surgem sintomas”, avalia ele.

Conforme já foi divulgado pelo JP, Três Lagoas foi um dos 15 municípios do País escolhidos pelo Ministério da Saúde – e único do Mato Grosso do Sul, para participar deste projeto experimentalde alto custo, já que as coleiras são relativamente caras e a população de cães é muito grande para que fossem distribuídas de forma livre.

DADOS

Segundo Empke, os casos de leishmaniose vêm diminuindo em Três Lagoas, porém, ele observa que, antes as clínicas veterinárias particulares acabavam entregando os cães infectados pela leishmaniose, vivos ou mortos – cerca de 40 ao mês -, ao Centro de Controle de Zoonoses, fato que não ocorre mais. “Os animais agora são recolhidos diretamente pela empresa responsável pelo procedimento de destinação”, informa.

O médico veterinário comenta que a média de animais recolhidos no município, e que vão para eutanásia por apresentarem a confirmação da leishmaniose, é de 250 ao mês. “Em maio deste ano recebemos 48 cães positivos vivos, 8 mortos e 135 sintomáticos – que já apresentam sintomas da doença. Mas esses números já foram bem maiores, como em maio e junho de 2013, quando recolhemos 410 animais doentes, em cada um dos dois meses. É algo que deve ser levado em consideração pelas famílias que têm cães em casa. A doença, infelizmente pode ser transmitida para o ser humano, podendo matar”, alerta o diretor do CCZ.

Fonte: Jornal do Povo

Nota do Olhar Animal: O tutor pode evitar que o seu cão seja assassinado. Lamentavelmente, isto só tem sido possível pela via judicial. A leishmaniose canina tem tratamento. Leia uma matéria sobre o assunto com o médico veterinário Leonardo Maciel, colunista do Olhar Animal: Leishmaniose tem tratamento, mas medicamento é proibido no Brasil

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