Divinópolis passa a contar com um Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres

Divinópolis passa a contar com um Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres
Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres Divinópolis. — Foto: Secretaria Estadual de Meio Ambiente/Divulgação

Um Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) foi inaugurado em Divinópolis nesta quarta-feira (16). Segundo o governo estadual, o local terá capacidade de atendimento de até três mil animais por ano e começa a funcionar em janeiro de 2021.

A estrutura será usada para reforçar o atendimento médico-veterinário e a reabilitação de animais, centralizando o serviço que era realizado, até então, em cinco unidades hoje em funcionamento (três centros de triagem, um centro de reabilitação e um centro de triagem e reabilitação).

A obra do Cetras custou R$ 5 milhões e o recurso veio da empresa AB Nascentes das Gerais, concessionária responsável pela rodovia MG-050, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Alto São Francisco. 

Atendimento

Segundo o Estado, no Cetras serão realizadas todas as etapas de atendimento dos animais da fauna silvestre, desde o recebimento, identificação, marcação, triagem, realização de exames clínicos, físicos e comportamentais, tratamento e reabilitação, para então o animal ser devolvido ao habitat natural.

O Cetras atende uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), que estabeleceu a junção das categorias dos centros de triagem (Cetas) e dos centros de reabilitação (Cras), conforme o Estado.

Para o diretor-geral do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Antônio Malard, a expectativa é aumentar o percentual de animais devolvidos para a natureza.

Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres Divinópolis. — Foto: Secretaria de Estado de Meio Ambiente/Divulgação

A inauguração foi feita pelo Governo de Minas, por meio do IEF, e contou com a presença de representantes de diferentes instituições envolvidas com a gestão da fauna silvestre no estado, respeitando os protocolos de distanciamento social em virtude da pandemia de Covid-19.

Outras unidades como a de Divinópolis são localizados em Patos de Minas, Belo Horizonte, Montes Claros e Juiz de Fora, e um Cras, em Nova Lima, que são compartilhados com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). 

Origem dos animais
 
O Governo de Minas explicou que a entrada dos animais no Cetras se dá, principalmente, por apreensão por meio dos órgãos de segurança pública, como a Polícia Militar do Meio Ambiente (PMA), na maioria, vítimas do tráfico. Contudo, os animais também podem ser recolhidos pelos órgãos públicos nos ambientes rurais e urbanos, além de serem entregues de maneira voluntária pela população.

“Com essa unidade, a PM terá mais tempo para outras ações. A recuperação dos animais com certeza vai ser muito mais rápida e a reinserção na natureza será feita de forma mais ágil”, disse o o tenente-coronel Noir Armond, que é chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento de Meio Ambiente da Polícia Militar.

Estrutura

Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres Divinópolis. — Foto: Secretaria de Estado de Meio Ambiente/Divulgação

O Cetras de Divinópolis tem uma área de mais de 14 mil m², cedida pela Polícia Militar de Minas Gerais, e a área construída chega a 1,2 mil m².

A estrutura tem bloco administrativo, dois alojamentos com capacidade para quatro pessoas, bloco médico-veterinário, cozinha para preparo de alimentos para os animais, dois viveiros para répteis, quatro viveiros para aves, três recintos para mamíferos e dois corredores de voo para reabilitação das aves, além de estação de tratamento de esgoto.

Número
 
O IEF espera que a unidade de Divinópolis contribua para aumentar a conservação da biodiversidade assim que o local começar a funcionar.

De janeiro a novembro deste ano, quase 5,3 mil animais deram entrada nos Cetas e também no Cetras de Patos de Minas, sendo que pouco mais de três mil já foram soltos no ambiente natural.

“É uma estrutura pensada para se fazer um conjunto de ações, que agregam, por exemplo, a pesquisa às atividades do recebimento, triagem, tratamento e à reabilitação, possibilitando o desenvolvimento de protocolos para o manejo dos animais”, explicou a diretora de Proteção à Fauna do IEF, Liliana Adriana Nappi Mateus sobre a unidade em Divinópolis. 

A promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, coordenadora de Defesa da Fauna do Ministério Público de Minas Gerais, falou sobre o funcionamento do Cetras. “Animal silvestre não é pet. Existem animais que se favorecem da companhia de seres humanos como cães e gatos, mas os animais silvestres nasceram para viver livres na natureza para exercer funções ambientais e comportamentos típicos da sua espécie”, disse.

Luciana finalizou dizendo que a população que tenha um animal silvestre da fauna brasileira poderá se dirigir ao Cetras e entregar o bicho sem ser responsabilizado, independente de ser um Cetras ou Cetas.

Fonte: G1

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