Dono de sítio que atirou em cadela paga R$ 4 mil para ONG após acordo com a Justiça de MG

Dono de sítio que atirou em cadela paga R$ 4 mil para ONG após acordo com a Justiça de MG
Cadela é atingida por tiros na BR-262, em Caeté, Grande BH — Foto: Magnolia Gomez/Divulgação/SGPAN

O dono do sítio onde a cadela Serena foi baleada em julho de 2018 fez um acordo com Justiça de Caeté, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para pagar as despesas da ONG que socorreu o animal. O valor pago foi de R$4 mil por Aloisio Silveira.

A cachorrinha foi ferida no focinho no dia 24 de julho. Serena perdeu metade da língua, dentes e ficou internada por 30 dias.

A denúncia de maus-tratos foi feita pela ONG Sociedade Galdina Protetora dos Animais e da Natureza de Caeté (SGPAN). O animal foi socorrido por uma médica veterinária que trabalha em uma obra perto do local da agressão e foi registrado boletim de ocorrência.

O valor foi referente às despesas com as diárias de internação e cirurgia para retirada de dentes quebrados pelas balas. Também foi determinado que o dono do sítio se comprometa a orientar seus funcionários a não maltratar nem atirar em animais que entrarem no local.

O Tribunal de Justiça informou em nota que “o autor foi advertido de que as práticas constantes nesse processo constituem crime de maus tratos previstos no art. 32 da Lei 9605/98”.

O G1 não conseguiu entrar em contato com o advogado de Aloisio Silveira até 18h20.

Cadela foi atingida por tiros na BR-262, em Caeté (MG) — Foto: Paula Senra/Divulgação
Cadela foi atingida por tiros na BR-262, em Caeté (MG) — Foto: Paula Senra/Divulgação

Tratamento

De acordo com o médico veterinário Luiz Sofal, responsável pela cirurgia de Serena, a cadela levou um tiro no maxilar superior esquerda, abaixo do olho. Ela teve a mandíbula direita fraturada, perdeu cinco dentes e 40% da língua.

No procedimento, o especialista em odontologia veterinária utilizou fio de aço e resina acrílica para fazer a fixação da mandíbula. “O orifício [feito pelo tiro] tinha dois centímetros de diâmetro e a reconstrução da pele foi feita com uma sutura [pontos]. Ela tinha dificuldade de se alimentar e, principalmente, de beber água”, explicou Sofal.

O médico veterinário disse que ela se alimentava por meio de uma sonda e que o fio de aço e a resina ficaram na boca do animal por 60 dias. Depois de um mês, Serena conseguia se movimentar, de acordo com o especialista, e ganhou alta. Ela foi levada para um lar temporário onde ficou por cerca de três meses.

Cadela adotada

Sensibilizada com o ataque à cachorra, a fotógrafa Solange Castilho, de 46 anos, e o marido, o engenheiro mecânico Arthur Castilho, de 66, adotaram a cadelinha. “Crueldade e covardia. Isso é terrível. As pessoas não têm obrigação de gostar, mas têm o dever de respeitar”, disse Solange.

Final feliz: a fotógrafa Solange Castilho com a cachorra Serena — Foto: Solange Castilho/Arquivo Pessoal
Final feliz: a fotógrafa Solange Castilho com a cachorra Serena — Foto: Solange Castilho/Arquivo Pessoal

Fonte: G1

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