Dor silenciada até a morte

Dor silenciada até a morte

Por Dr. phil. Sônia T. Felipe

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Nem tudo o que causa imensa dor aos cavalos, usados para tração e atração turística, ou montados por esse mundo afora, se pode ver em fotos. As fotos mostram muitos sinais que evidenciam a tortura sofrida pelo animal. Mas há lesões internas que fotos não podem mostrar, é preciso exames médicos.

Por exemplo, só exames mais específicos (endoscopia, cintilografia, radiografia e outros testes neurológicos) podem comprovar a aflição desses animais sensíveis, inteligentes e racionais, por conta das úlceras estomacais.

Só exames mais específicos podem constatar a agonia deles por respirarem pela boca e com a garganta seca (por causa do freio que pressiona a língua e não os deixa engolir normalmente a saliva), levando para dentro do pulmão tudo que é partícula de poeira, aspirada na marcha rápida.

Só exames radiográficos e similares podem constatar as hemorragias pulmonares, causadas pelo esforço extraordinário de puxar cargas ou da velocidade, no caso das corridas.

Só exames cuidadosos podem conferir as inflamações e dores de artrite e artrose, dos nervos e tendões, das cartilagens que formam as patas.

Só exames atentos podem localizar as lacerações na derme por conta das chicotadas, daqueles paus e correias, atritando seus corpos ao puxarem as cargas, e, no caso da monta, também das esporadas.

Enfim, a agonia dos cavalos e das éguas é infinita. Quase não há uma parte do corpo desses animais, usados para tração e montaria, que não esteja lesada e não cause imensa dor a eles.

Apesar de terem esse corpo extremamente delicado, eles parecem fortes e resistentes. Mas não são. São seres com organismos extremamente sensíveis e vulneráveis, quando escravizados e privados da liberdade que seu éthos equino requer.

E, éguas e cavalos, do mesmo modo que vacas e bois, não expressam a dor, pois evoluíram com inteligência e sensibilidade para saber que se o fizerem, mesmo os condenados à escravidão pela doma humana, serão mortos, literalmente, por seus predadores.

É mais barato comprar um cavalo novo para substituir o cavalo detonado pelo uso, do que pagar tratamentos para tantos males que a doma e a escravização causam a eles.

A morte é o destino do animal que expressa sua agonia infinita. E sua agonia só é “vista” pelo homem no dia em que a égua e o cavalo caem mortos, ainda atados aos apetrechos da carroça ou da charrete que puxaram à custa de toda essa dor e do tormento que os abate no meio da rua. E o feitor dessa escrava ou desse escravo pensa que essa morte foi sem aviso prévio. Não foi.

O animal avisou, do modo que podia, que estava dorente, que estava sofrente. Mas a mente e a linguagem humana são atrofiadas demais para captar e traduzir os sinais da dor e do sofrimento emitidos pela linguagem equina.


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