Elaboram projeto para proibir as gineteadas em toda a Argentina

Elaboram projeto para proibir as gineteadas em toda a Argentina
Tortura não é cultura.

A associação Projeto Galgo Argentina avança na elaboração de um projeto de lei que proíbe as gineteadas e domas, atividades de forte presença em diversas localidades do interior da Argentina, mas que constituem uma “tortura” para os animais.

A intenção é seguir o mesmo curso que – com êxito – transitou para conseguir a Lei 27.330, normativa que proíbe as corridas de cães e as tipifica como delito penal.
“Sabemos que será muito difícil, o que propomos é uma mudança de paradigma a respeito dos animais, mas estaremos aqui para apresentar esta batalha”, afirmou a advogada do Projeto Galgo, Andre López.

Está na hora de derrubar por terra o argumento de “tradição” para defender as gineteadas, a advogada colocou no diálogo com ANDigital que “com essa lógica é tradição a ablação do clitóris (mesmo ainda sendo vigente em várias nações da África, Ásia e Oriente Médio) ou assassinar a uma mulher que comete adultério”.

“O argumento de tradição cai pelo seu próprio peso, não há lógica que o sustente. A gineteada cria em sua essência atos de violência: esporas, rebencazos, chicotes, amarrar o animal ao palanque com os olhos vendados, são atos cruéis”, reforçou a profissional em direito.

Sendo assim, PGA se declarou “contra o uso e exploração dos animais; mais além do bom trato que, segundo os gaúchos, dizem que dispensam aos cavalos”.

“Os cavalos nas gineteadas são usados para dar um show, um espetáculo onde se cobram entradas, se lucra às custas dos animais”, contextualiza a ONG.

Em relação aos passos a seguir, López indicou que “estamos trabalhando no projeto de lei e já tivemos contatos. Há outros legisladores que tendem à proteção dos direitos dos animais e em março estará apresentando a iniciativa do Projeto Galgo, com apoio de outras associações”.

“A lei 27330 (que proíbe as corridas de cães) nos custou muito, mas conseguimos. Seguimos o mesmo caminho, a mesma linha de pensamento, contra toda a forma de exploração”, garantiu.

Finalmente, Projeto Galgo Argentina falou sobre um caso ressonante que ocorreu há poucos dias, quando um cavalo morreu.

“Temblor era seu nome. Seu tutor o levava cada fim de semana a diferentes pontos do país para cobrar por seu show. O equino tinha 25 anos e morreu em Chubut, onde tinha viajado desde General Madariaga, Buenos Aires. Começou a correr e caiu morto em pleno campo de gineteada”, expos a entidade protetora.

E disse: “Temblor escapou desse círculo de terror, exploração e rebencazos que recebeu ao longo de sua vida e a única forma de conseguir sua liberdade foi com a morte”.

Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: AN Digital

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