Elefante Mithu vive acorrentado a uma árvore há 18 meses por ser ‘prova’ de um caso judicial

Elefante Mithu vive acorrentado a uma árvore há 18 meses por ser ‘prova’ de um caso judicial

Mithu vive acorrentado a uma árvore. O elefante matou acidentalmente uma pessoa em 2019, mas está preso por ser considerado uma prova num processo judicial.

O elefante Mithu (“docinho”, em hindu) esteve acorrentado a uma árvore durante 18 meses, vivendo grande parte do tempo em contacto com as suas fezes. O animal foi preso depois de ter atropelado acidentalmente uma pessoa até à morte numa apresentação religiosa em Varanasi, uma antiga cidade sagrada para os hindus, no final de 2019.

O elefante está acorrentado numa reserva de vida selvagem protegida a cerca de 550 quilómetros de Varanasi, na Índia.

Os ativistas têm pedido a sua libertação, alegando que o animal nunca deveria ter sido forçado a entrar na celebração performativa. Mas como o elefante está num dos estados mais afetados pela covid-19, as autoridades dizem que Mithu não pode ser libertado.

Os órgãos de comunicação social começaram a difundir a sua história, alegando que o elefante estava acorrentado depois de ter sido “preso por assassinato”. A trágica história de Mithu veio à tona, fazendo com que polícia estadual tivesse anunciado, no Twitter, a libertação do elefante.

Mas, segundo a Vice, a história não é bem assim.

Depois do atropelamento, descobriram que o microchip de identificação de Mithu foi adulterado e que os seus documentos tinham sido falsificados. Invocando a Lei de Proteção à Vida Selvagem, a polícia acusou dois indivíduos por posse ilegal.

Acontece que os acusados acabaram por ser libertados sob fiança, mas o pobre Mithu continuou em cativeiro como “prova do caso”. Há quem defenda, contudo, que, de acordo com a Lei de Prevenção da Crueldade contra os Animais da Índia, mesmo que Mithu seja uma “prova”, deve ser mantido num abrigo para animais.

Em janeiro, o Supremo Tribunal da Índia pediu ao governo federal que alterasse ou revogasse a lei que permitia que os animais fossem mantidos sob custódia como “propriedade do caso” e, em vez disso, os devolvesse aos seus proprietários até à conclusão do julgamento.

No entanto, essa ordem referia-se especificamente ao gado e não era clara acerca do destino de animais protegidos nacionalmente, como os elefantes.

A Vice escreve, porém, que mesmo que o elefante seja libertado, o tempo que ele passou em cativeiro é uma preocupação que deve ser tida em conta. “Há uma marca nos animais em cativeiro, que não lhes permite sobreviver na natureza”, disse Gauri Maulekhi, da organização People for Animals.

É esperada uma decisão sobre o futuro de Mithu assim que as restrições relacionadas com a covid-19 forem aliviadas. Até lá, o elefante permanece acorrentado a uma árvore.

Fonte: ZAP / mantida a grafia lusitana original

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