Elefantes farão parte do festival na Índia – governo se recusa a interferir

Elefantes farão parte do festival na Índia – governo se recusa a interferir

Tradução de Alice Wehrle Gomide

India festival

Com ambos o governo de Kerala e a Suprema Corte se negando a interferir no desfile com elefantes durante o anual “Thrissur Pooram”, o famoso festival de mais de 200 anos está para acontecer com toda sua “pompa e glória”.

Os juízes A M Saffique e P V Asha se recusaram a interferir na petição feita pela People for the Ethical Treatment of Animals (PETA), New Delhi, e prorrogaram o caso para depois de 20 de maio, quando a Suprema Corte reabrirá após recesso de férias.

A petição direcionada ao estado e governo central quis garantir que os elefantes não desfilassem durante as festividades sem a permissão do Conselho de Bem-Estar Animal da Índia.

Trazendo alívio aos organizadores do festival, o governo estadual também deixou claro que não iria interferir com a convenção tradicional secular.

“Todas as convenções realizadas durante o Thrissur Pooram, incluindo o desfile de elefantes, serão mantidas”, o Ministro do Meio-Ambiente de Kerala Thiruvanchoor Radhakrishnan respondeu à petição.

Sobre as denúncias relativas à tortura de elefantes durante o festival, o ministro disse, “se alguém tem alguma reclamação sobre a manutenção dos animais durante as festividades, ele pode notificar o governo e o mesmo irá verificar. Mas qualquer interferência na convenção do Pooram está fora de questão”.

O governo já publicou várias orientações sobre a manutenção de elefantes em cativeiro no estado, ele disse.

V K Venkatachalam, chefe da Força-Tarefa do Patrimônio Animal, um ativista que vem lutando contra o desfile de elefantes em várias festividades em templos, disse que eles continuarão sua luta e notificarão imediatamente a Suprema Corte se qualquer violação ocorrer durante o Pooram.

“Como parte da segurança, este ano decidiram acorrentar os elefantes uns aos outros pelas patas para garantir que eles não possam se movimentar livremente, o que é uma clara violação das regras de Prevenção da Crueldade aos Animais”, ele acusou.

Ao menos 70 elefantes ajaezados serão obrigados a ficar sob o sol escaldante com uma média de quatro pessoas em cima deles, das 11 da manhã até às 2 da tarde. E outros 30 elefantes dos principais organizadores do festival – Thiruvambady e Paramekkavu – ficarão continuamente das 11 às 21 horas, Venkatachalam acusou.

Em relação ao argumento de que o governo não irá interferir com as convenções do templo, ele disse que a maioria das tradições e convenções dos rituais em templos foi alterada ao longo dos anos e “somente quando falamos de animais infelizes, eles apontam sobre as tradições e convenções”.

De acordo com o Conselho de Bem-Estar Animal da Índia, nenhum dos elefantes no estado foi registrado seguindo as Normas para Elefantes Cativos (Manutenção e Gerenciamento) de Kerala de 2003. Ela estipula a obrigatoriedade do uso de elefantes em exibições ou performances somente se seus donos estão registrados no Conselho.

O desfile de elefantes ajaezados acompanhado pela performance dos tradicionais percussionistas é a principal atração do festival Pooram, que ao longo dos anos se tornou um evento principal no calendário turístico do estado.

O famoso ‘Kudamattom’ (troca de guarda-chuvas ornamentais) em cima de 30 elefantes, que ficam frente a frente, no território Thekkinkadu, em frente ao Templo Siva Vadakkunnathan, é uma vista espetacular para os visitantes do festival anual, que ocorre desde 1798.

Esta é a 217ª edição do festival, que foi concluída em 28 de abril com um grande show de fogos de artifício. 

O presidente da PETA Índia disse em uma declaração que “quando leis são ignoradas para forçar elefantes a se exibirem, os resultados frequentemente incluem ferimentos graves ou morte de humanos quando os animais em sofrimento retaliam”.

De acordo com dados reunidos pela Força-tarefa do Patrimônio Animal, elefantes cativos já mataram 526 pessoas em 15 anos, isso somente em Kerala.

Apesar de ser ilegal agredir e torturar animais, elefantes forçados a participarem dos desfiles são treinados através de punição física e constante ameaça de serem agredidos com uma vara ou um ‘ankus’ (uma barra de ferro com um afiado gancho na ponta).

Capturar elefantes é proibido pelo Ato de Proteção da Vida Selvagem da Índia de 1972. Mesmo assim, acredita-se que muitos elefantes hoje em cativeiro foram capturados ilegalmente da selva, separados de suas mães quando ainda bebês, e transportados para Kerala, algo que a PETA índia está trabalhando para acabar, a declaração adicionou.

Fonte: The Indian Express

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