Elefantes não pertencem a zoológicos: Happy precisa se mudar do Bronx, nos EUA

Elefantes não pertencem a zoológicos: Happy precisa se mudar do Bronx, nos EUA

Como um cientista que passou décadas observando elefantes, eu entendo e aprecio a paixão com que os nova-iorquinos se juntaram ao debate público sobre a vida e o bem-estar de Happy, uma elefanta de 48 anos mantida sozinha em cativeiro no zoológico do Bronx.

Este debate, que está em andamento há algum tempo e recentemente reacendeu com as campanhas de defesa de base e litígios lançadas pelo Nonhuman Rights Project, sobre se Happy deveria ser solta em um santuário.

Para mim, salvar elefantes é tanto proteger as vidas e o bem-estar dos indivíduos quanto a espécie como um todo. É por isso que enviei três depoimentos paro o caso dos direitos dos elefantes do NhRP em nome da Happy, apoiando inequivocamente a sua libertação no The Elephant Sanctuary no Tennessee ou no santuário da Performing Animal Welfare Society (PAWS), na Califórnia.

Simplificando, o recinto no Bronx Zoo é pequeno demais para atender às necessidades de Happy ou de qualquer outro elefante. Happy merece viver o resto de sua vida em um desses dois santuários, onde os cuidados máximos serão dados para as suas necessidades individuais e ela terá espaço e condições necessárias para se curar e formar vínculos psicologicamente necessários com outros elefantes.

O diretor do zoológico do Bronx, Jim Breheny, afirmou repetidamente que Happy não se dá bem com outros elefantes, e que, para seu próprio bem, deve permanecer onde está, além de alegar que o recinto do Bronx Zoo é como se fosse um santuário. Mas ele está errado.

Elefantes são animais altamente sociais e inteligentes, feitos para terem companhia de outros elefantes. Quando mantidos em espaços pequenos, elefantes em cativeiro frequentemente não se dão bem com outros elefantes que seus captores escolhem para ficarem com eles. No Zoo do Bronx, Happy fica cercada por áreas pequenas demais para poder selecionar companheiros diferentes e escolher quando estar com eles. Resumindo, ela não tem nenhuma autonomia.

A evidência histórica, incluindo o cativeiro de Happy no Zoológico do Bronx, mostra que ela se deu bem com outros elefantes. O que ela precisa é ter a escolha de parceiros sociais e do espaço para poder estar com quem ela quer, quando quiser e evitar indivíduos específicos, quando quiser.

Breheny parece não estar ciente das transformações extremamente positivas que ocorreram quando outros elefantes em cativeiro receberam a liberdade que o espaço maior nos santuários oferece. Sissy, por exemplo, foi capturada na Tailândia ainda filhote, assim como Happy. Transferida quatro vezes, ela morou sozinha por uma década e meia antes de ser enviada ao Zoológico de Houston, onde foi rotulada como autista e antissocial. Ela foi então devolvida ao seu confinamento solitário em seu antigo zoológico, onde matou uma pessoa.

Em 2000, ela foi transferida para o The Elephant Sanctuary, no Tennessee, e seis meses depois de sua chegada, já estava calma e solidária. Ela se tornou uma líder, deixando todos os elefantes à vontade. Em 2000, o USDA deu a Sissy apenas um ano para viver. Dezoito anos depois, ela ainda está firme e forte.

Maggie, agora na PAWS, era considerada uma elefanta antissocial e agressiva no zoológico do Alasca. Quando chegou ao santuário, estava em condições tão ruins que mal conseguia ficar de pé. Ela é agora uma elefanta próspera e socialmente ativa. De fato, ela é considerada o elefante mais social da PAWS.

Há muitas histórias parecidas de elefantes que foram liberados para santuários e prosperaram. Ignorá-las serve apenas aos interesses do zoológico do Bronx, e não de Happy.

Happy chegou ao Zoológico do Bronx em 1977, dois anos depois que comecei a estudar elefantes em Amboseli, no Quênia. Para mim, foi um sonho tornado realidade. Para Happy, foi o início de anos de prisão em um ambiente que lhe causou estresse psicológico e físico graves.

Poole é diretor científico da ElephantVoices e estuda elefantes há mais de 40 anos em Amboseli e Maasai Mara, no Quênia, e em Gorongosa, em Moçambique.

Por Joyce Poole / Tradução de Alda Lima

Fonte: Daily News 

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