Comissão é dedicada ao trabalho de manejo com animais que habitam e circulam por diversos locais internos e no entorno do campus – Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Em Bauru, campus da USP investe em ações para evitar abandono de animais

Tanto na capital como nas cidades do interior paulista, os campi da USP recebem a visita frequente de cães e gatos, que aparecem espontaneamente ou são abandonados. Eles exigem cuidados como alimentação e castração e, por isso, em Bauru, foi criada, em 2018, uma comissão voltada ao manejo destes animais.

No momento, a população de gatos é a prioridade do grupo, do qual fazem parte representantes da Prefeitura do Campus (PUSP-B), da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC). Eles têm se dedicado, principalmente, a aspectos como abandono de animais, conceito de manejo, importância do CED (capturar, esterilizar, devolver), importância da alimentação coordenada e organizada e animais errantes e ferais (não domésticos).

“As ações propostas são baseadas em experiências de outros campi, trabalhos acadêmicos e parcerias com a Prefeitura Municipal de Bauru, entre outras. Foi entendido que o controle populacional organizado é a melhor solução para o caso”, informa o arquiteto Vítor Locilento Sanches, chefe Técnico da Divisão de Manutenção e Operação da PUSP-B e presidente da Comissão de Manejo de Animais do Campus USP de Bauru.

A organização da alimentação e a castração têm se mostrado eficientes, pois não foram observadas, até o momento, novas ninhadas, como era frequente no campus. Os alimentadores também não notaram aumento populacional. Para Sanches, o resultado, até agora, é positivo e os trabalhos devem continuar. “É importante ressaltar que o grupo não completou um ano de trabalho e, segundo relatório realizado pela Esalq [Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP], a experiência de resultados em ação similar na Universidade da Flórida (EUA) levou 11 anos para ser considerada com sucesso”, comenta.

O trabalho da comissão não é o de executar ações, mas de assessorar os dirigentes em decisões sobre a questão e colaborar com a definição de metodologias. “O trabalho de alimentação, cuidados com água e captura dos animais para castração é feito por voluntários que já realizavam essas atividades antes da comissão”, diz Sanches. O arquiteto lembra que o campus não é o local ideal para manter gatos.

A Universidade não possui estrutura para cuidar dos animais, a alimentação é custeada por voluntários que se sensibilizam com esses animais sem lar e aumentar a população local somente sobrecarregaria mais os custos dessas pessoas, destaca o presidente da comissão de manejo
A recomendação da comissão é que, caso alguém encontre gatos, cães ou outros animais que necessitem de ajuda, eles deverão ser encaminhados ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) ou à ONGs preparadas para ajudar a resolver situações de doença, abandono e até para futura adoção.

A população de gatos é a prioridade do grupo criado no campus da USP, em Bauru – Foto: Denise Guimarães
A população de gatos é a prioridade do grupo criado no campus da USP, em Bauru – Foto: Denise Guimarães
Ações da Comissão de Manejo de Animais
Alimentação

Os interessados em alimentar os animais foram instruídos a concentrar a alimentação em pontos definidos pela comissão de manejo e orientados a oferecer apenas ração seca. Essa medida colabora para que sejam evitadas rações em locais que possam causar perigos aos animais e aos humanos (como em estacionamentos com risco de atropelamento, por exemplo). A ação requer que os potes de água sejam limpos diariamente pelos alimentadores para evitar proliferação do Aedes Aegypti.

Castração

Essa ação faz parte do conceito de manejo de felinos que é de “capturar, esterilizar e devolver” (CED), uma metodologia internacional. Para controlar os animais que foram castrados, são feitas marcações na orelha (sem dor ou prejuízo ao animal). Isso evita que ele seja capturado mais de uma vez para castração.

A castração evita a ocorrência de ninhadas e o aumento populacional. Alguns animais não estão domesticados e não podem ser encaminhados à adoção, então são devolvidos ao campus. O número fixo de animais, sem aumento populacional, também faz parte do manejo de felinos, uma vez que são animais territorialistas e não permitem novos membros com facilidade.

As castrações são feitas com parceria entre a USP, em Bauru, e o Centro de Controle de Zoonoses de Bauru, sem custo. Alguns animais também foram castrados por meio de financiamento coletivo dos alimentadores em clínicas particulares.

Informação

Foram instaladas placas de aviso em edifícios voltados para a rua que alertam sobre a proibição em relação ao abandono de animais por conta da Lei Federal nº 9605/1998, que considera crime e pune com multa e detenção as pessoas que abandonarem animais em qualquer local.

Integrantes

Membros da Comissão de Manejo de Animais do Campus USP de Bauru

Prefeitura do Campus USP de Bauru
Carlos Renato João, Luís Victorelli, Paulo Roberto da Silva, Pedro de Araújo Filho e Vitor Locilento Sanches (presidente)

Faculdade de Odontologia de Bauru
Cássia Maria Fisher Rubira, Luís Carlos Silva, Marcelo Lima de Oliveira (representantes discentes, eleitos por seus pares, moradores do Conjunto Residencial Estudantil do Campus USP de Bauru)

Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais
Helton Ismael Silva Atilio, Lavínia de Oliveira Ribeiro, Márcia Borges Sanches Rodrigues de Sá e Márcia Regina Rodrigues Regina

Adaptado de Luís Victorelli/ Assessoria de Comunicação da PUSP-B

Fonte: Folha GO

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