Em busca da justiça

Em busca da justiça

Por Ellen Augusta Valer de Freitas 

Presenciar situações de injustiça e nada fazer é como dar-se um tiro. Por isso, muita gente prefere não saber e não ver certos aspectos da nossa realidade.

Suportamos muitas dores, mas a dor da injustiça é algo difícil de carregar e nunca vem sozinha. Sempre acompanhada de indignação e raiva, mais uma infinidade de sentimentos que afloram em nossa sensibilidade.

Esta terra parece um solo fértil de injustiças de todos os tipos e crueldades inaceitáveis, mas que aceitamos. E mesmo sabendo que a Natureza é algo que se auto-organizou ao longo de bilhões de anos, antes mesmo de qualquer sinal de vida, não posso deixar de compactuar com alguns bons escritores e filósofos que a insultam chamando-a de cruel e sádica.

Pois dentro de nossa vida humana, orgulhosa e limitada por todas as leis naturais, temos que lidar com toda sorte de injustiças. Praticadas uns contra os outros, contra a natureza e de modo específico contra os animais.

Houve muitas razões para o humano exercer este poder tirânico sobre os animais e se hoje já não há praticamente necessidade de continuarmos nesse estado de barbárie, há ainda os que, movidos pelo orgulho, defendam a exploração de animais.

Por exploração, entenda-se todo o tipo de “ideia” sobre como utilizar os animais a fim de se obter lucro. Desde o bestialismo (sexo com animais) praticado desde séculos e ainda hoje movendo a economia de grandes empresas até o clássico consumo de carne, tráfico de animais, farras e todo o tipo de diversão sem graça. Este é o mercado de animais que move milhões e nos envergonha.

Animais para filmes pornográficos, animais para circo, animais para a solidão, animais para a moda e animais para a gula. E na mente, nenhum pio, nenhum incômodo. Nada que nos remeta à injustiça.

A Dra. Sonia Teresinha Felipe, numa palestra sobre direitos dos animais, falou sobre o tempo que temos para ajudar os animais. Ela usou o termo “biografia” para explicar que, dentro de nosso tempo de vida, temos pouco tempo e este deve ser usado para a libertação dos animais e não para jaulas confortáveis ou para marretas anatômicas.

Esta colocação marcou muito a minha vida, e é uma lógica que muitos não seguem, pois querem apenas amenizar suas consciências, nem tanto diminuir o sofrimento ou a injustiça.

A indiferença para com os animais tem um preço, que não podemos sequer calcular, mas este preço com certeza já estamos pagando. Nosso modo de vida, baseado na exploração é apenas um aspecto da realidade maior onde somos todos “objetos”.

Se fizemos dos animais objetos e pouco nos importamos com isso, se no máximo temos pena do cachorrinho, mas nosso nível de compaixão para por aí, alguma cisão bizarra aconteceu nas consciências para seguirmos suportando tamanhas incoerências.

E estas maneiras de ser têm um preço alto que é uma sociedade que trata as pessoas e animais como objetos. Isso se reflete na educação, na cultura e nas relações pessoais como há muito tempo já escreveu Erich Fromm.

Estamos lutando pela liberdade dos animais, que passa obviamente por um aprimoramento da inteligência humana, da educação e dos hábitos.

Tudo parece muito difícil, mas já temos algum progresso em relação ao passado. Hábitos são difíceis de mudar, como podemos perceber na grande diferença que existe entre o escrito e o feito, entre as palavras e as atitudes de quem as proferiu ao longo de nossa história.

Os livros estão cheios de teses e conceitos, principalmente os sobre educação. E nunca tivemos uma realidade tão diferente das teses mais difundidas nestes meios.

Bibliografia consultada

FROMM, Erich. A arte de amar. 3. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1964.

Fonte: ANDA


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