Em Chernobyl, centenas de cães vivem na zona de exclusão

Em Chernobyl, centenas de cães vivem na zona de exclusão
Fotos: Facebook Solo East

Em Abril de 1986, o desastre nuclear de Chernobyl deixou deserta a cidade de Pripyat e as vilas que a rodeiam. Na altura em que as pessoas que lá viviam foram obrigadas a abandonar a zona devido à radiação, foram proibidas de levar os seus animais de estimação consigo. Agora, centenas de crias de cães que foram deixados para trás vivem na zona de exclusão, no frio da Ucrânia.

Segundo o The Guardian, que esteve agora no local, vários foram os cães que na altura perseguiram os autocarros onde as pessoas se iam embora, numa tentativa de fugirem com os donos. Mas equipas de soldados, enviadas para matar os animais, pontapearam os cães, impedindo-os de fugir do local.

Os cães que sobreviveram ficaram em Chernobyl e ainda hoje habitam a floresta. Cerca de 300 cães vivem numa zona de 2600 quilómetros quadrados, junto à fronteira com a Bielorrúsia, no meio de lobos, ursos e linces.

De acordo com o jornal, os animais vivem numa “comunidade quase autónoma”, tendo alguns aprendido a ir ao café local onde os turistas se reúnem para pedir comida.

“A maior parte das vezes as pessoas, os visitantes, acham-nos queridos, mas muitas vezes acham que podem estar contaminados e por isso evitam tocar-lhes”, explicou Nadezhda Starodub, uma das guias da Solo East que faz visitas à cidade, ao jornal britânico. Apesar de não existir nenhuma regra que proíba os visitantes de tocar nos animais, os guias pedem “bom senso” ao lidar com cães rafeiros.

Em Chernobyl, a organização norte-americana sem fins lucrativos Clean Futures Fund dedica-se a ajudar comunidades afectadas por acidentes industriais. Ali, instalou três clínicas veterinárias para assistir os cães em caso de emergências, para os castrar ou para vaciná-los contra doenças como a raiva.

O objectivo da instituição é diminuir ao máximo a população de cães na zona de exclusão. “Acho difícil que algum dia venhamos a conseguir acabar totalmente com os cães na zona de exclusão mas queremos reduzir a população a um ponto em que seja possível tratarmos deles, alimentá-los e providenciar-lhes uma vida longa e feliz”, disse um dos fundadores ao The Guardian.

Por Mariana Branco

Fonte: Sábado / mantida a grafia lusitana original

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