Em ‘invasão’ urbana, 2,5 mil animais são capturados por mês no MS

Em ‘invasão’ urbana, 2,5 mil animais são capturados por mês no MS

Polícia Militar Ambiental alerta para risco de moradores tentarem resgatar bichos

Por Rosana Moura

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Animais silvestres que fazem parte da fauna sul-mato-grossense resolveram passear pelas ruas dos municípios e da Capital do Estado. De acordo com levantamento da Polícia Militar Ambiental (PMA), por mês, são capturados 2.500 animais em todo Mato Grosso do Sul, sendo 360 só em Campo Grande. Entre os mais encontrados, estão capivaras, tamanduás, cobras, aves e até a tão temida onça-pintada. O motivo que leva esses bichos até as áreas urbanas, segundo a PMA, é o desmatamento constante ao redor das cidades, o que faz os animais irem buscar alimentos nas ruas ou até dentro de residências.

Na semana passada, na Capital, em menos de 24 horas, duas cobras jiboias foram capturadas na região do Parque dos Poderes, nas imediações de uma reserva ecológica. Uma delas, de aproximadamente 2 metros e meio, foi encontrada no jardim de uma casa, em um condomínio de luxo, já a outra estava no pátio do Tribunal de Contas do Estado. As duas foram recolhidas e liberadas ao seu habitat. É bastante comum, segundo os policiais, a captura de cobras venenosas, como a urutu-cruzeiro, que, mesmo sendo natural de mata fechada, já foi encontrada algumas vezes em residências da cidade. Já outro réptil comum na cidade, porém, inofensivo, é a cobra-cipó, encontrada em árvores e vegetação rasteira, como gramas.

Também na semana passada, um tamanduá resolveu visitar a residência de uma família no Jardim Noroeste, em Campo Grande. Apesar do susto, o bicho era dócil e até os policiais se surpreenderam com o comportamento do animal, que estava à vontade no sofá da sala.

No ano passado, em Corumbá, várias onças-pintadas foram vistas por moradores da cidade, circulando em avenidas e próximo às regiões ribeirinhas; muita gente fotografou os animais e compartilhou tudo em redes sociais.

Apesar dos registros, apenas um animal foi capturado dando muito trabalho aos policiais, que tiveram de instalar câmeras de monitoramento para acompanhar os passos do animal. Ele foi encaminhado para o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) e, logo após, solto em uma área isolada do Pantanal. Ainda de acordo com a PMA, além dos grandes animais, são capturadas muitas aves, entre elas, arara, tucano, coruja e pássaros menores; a maioria chega ao Cras com algum ferimento, sendo tratada por um veterinário, antes de ser solta na natureza.

O major da PMA, Edmilson Queiroz, explica que a equipe de policiais tem treinamento e equipamentos necessários para fazer as capturas sem grandes problemas. O policial ressalta que, nesses casos, a população não deve se arriscar na tentativa de resolver o problema por conta própria, e sim chamar a equipe especializada. “No caso de um animal grande como a capivara, por exemplo, o cuidado deve ser grande. Quando ela sai de seu habitat, perde o rumo e fica acuada. Se alguém se deparar com um bicho desse, a recomendação é se afastar, pois ele pode morder e causar vários danos para as pessoas”, afirma.

Destino

Todo animal capturado é avaliado por especialistas e, posteriormente, encaminhado para o meio ambiente, caso esteja em boas condições de saúde. Mas, antes disso, os bichos são geralmente levados ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres, onde podem ter acesso a todo o tipo de tratamento voltado à sobrevivência. Segundo o biólogo e coordenador do Cras, Elson Borges, os animais que chegam ao local recebem um primeiro diagnóstico para saber se possuem condições ou não de retornar à natureza. Eles passam por avaliações de médicos-veterinários, também fazem exames para saber se estão ou não doentes, e só depois são encaminhados ao tratamento. “Os animais que não possuem condições de voltar ao seu habitat são tratados até que possam estar aptos a conviver na natureza normalmente”, disse.

Fonte: Correio do Estado

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