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Em Manaus, homem tenta matar cão a terçadadas e ONG organiza manifestação de repúdio

Por Oswaldo Neto

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Uma cadela da raça pit bull foi agredida com um terçado (tipo de espada) por um homem no último dia 14 de setembro. O crime ganhou repercussão após a ONG responsável pelo caso marcar uma manifestação de repúdio neste sábado (20) próximo à casa do suposto agressor. O funcionário público Renan Agra Pereira, morador do bairro Vila da Prata, Zona Oeste de Manaus e apontado como o autor das agressões ao animal. O homem, que é evangélico, alegou que cometeu o crime após o pit bull ter tentado atacar sua esposa.

As imagens fortes compartilhadas em redes sociais revelam a brutalidade dos golpes contra o animal, que acabou sobrevivendo. Segundo a presidente do Clube do Pit Bull e organizadora do movimento, Andrea Guedes, além da fêmea multilada, outro pit bull macho quase foi atacado pelo homem.

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“Eles fugiram da casa dos pais da dona e foram parar na casa desse senhor. Lá, ele mutilou a fêmea com um terçado. A notícia só chegou até nós porque a clínica veterinária para onde a cadela foi levada nos acionou. O veterinário nos explicou que os animais são fortes e ele só conseguiu fazer isso porque eles são cães dóceis, ele não poderia lidar com dois pit bulls. Eles não tentaram atacar ninguém”, afirma Andrea. O cão recebeu alta nesta sexta, já a cadela continua internada numa clínica com estado de saúde gravíssimo.

A princípio, a dona dos animais foi identificada somente como Yara e está em Fortaleza (CE). Ela não foi localizada pela reportagem para falar sobre o assunto. No momento do crime, somente os pais de Yara se encontravam em casa, conforme conta Andrea. “Chegamos lá e constatamos que a mãe é uma pessoa simples e o pai uma pessoa doente. Depois do ocorrido, esse cidadão ainda saiu se vangloriando pela crueldade e disse à senhora ‘vá lá pegar sua cadela que matei lá em casa’”, revelou.

Cadela pit bull foi agredida a terçadadas (Foto: Reprodução/Facebook)

Ao ser questionado pela ONG sobre o motivo da violência, Renan chorou e afirmou que não se lembrava da situação. A perda de memória, segundo Andrea, ocorre pelo fato do homem ser portador de uma doença rara chamada Síndrome de Benson. Ele também não foi encontrado para falar sobre o caso.

“Recebemos apoio de outras ONGs que pretendem cuidar da parte judicial. Também estamos recebendo apoio da Comissão Especial de Proteção Aos Animais, da OAB, que se propôs a abrir um termo circunstanciado de ocorrência (TCO). Por enquanto nós estamos nos dedicando somente à manifestação deste sábado”.

Crime contra animais

Segundo a advogada e representante da Comissão Especial de Proteção aos Animais Domésticos e Domesticados da OAB-AM, Gorete Rubim, Renan pode responder pelo crime de maus tratos e ficar preso de 3 meses a 1 ano.

“Ficaremos responsáveis por acompanhar a abertura do TCO e dar continuação ao caso perante a Justiça do Meio Ambiente. Como crimes contra animais têm menor potencial ofensivo, é possível que a pena seja convertida em multa ou serviços a comunidade. Iremos trabalhar pra que isso não aconteça, já que, no Brasil, é comum que esse tipo de delito prescreva”, disse.

A Polícia Civil já foi informada sobre o caso. De acordo com o investigador Lemos, da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema), uma equipe deve iniciar as investigações sobre o caso semana que vem.

Manifestação

Atuando em Manaus desde março deste ano, o Clube do Pit Bull, localizado no Parque das Laranjeiras, Zona Centro-Sul, já conta com 300 cães da raça registrados. Por meio de palestras e eventos, a equipe tem o objetivo de informar e desmistificar a população sobre a periculosidade do animal. “Muitas pessoas têm dificuldade para entender que o pit bull é um cachorro como qualquer outro e não existe um cão que seja agressivo com as pessoas”, contou.

A manifestação de repúdio contra a crueldade aos pit bulls está marcada para este sábado, às 16h, na praça Coronel Jorge Teixeira (antiga praça do Cigs), no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus. O evento deve reunir mais de 600 pessoas.

  Imagens do cão após o ataque do acusado podem ser vistas aqui. Cenas fortes.

Fontes: A Crítica de ManausPortal do Holanda

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