Em MG, população reclama de interrupção nos serviços do Zoonoses

Em MG, população reclama de interrupção nos serviços do Zoonoses

Recolhimento de cães e exames estavam suspensos em Valadares. Desde agosto empresa está impedida de fornecer ração; 22 gatos estão lá.

Por Zana Ferreira

“Sempre foi triste ir no Centro de Controle de Zoonoses. Sempre é triste porque os cães que entram ali saem mortos, mas desta vez foi mais” conta uma voluntária da Associação de Proteção e Bem-Estar Animal (Aprobem) em Governador Valadares. Na última sexta-feira, Roberta Campos foi até o órgão para fazer um exame de leishmaniose em um cão que havia sido resgatado das ruas, no entanto teve que voltar devido a suspensão dos serviços.

“Eles não tinham o kit pra fazer exame de leishmaniose. Eu vi também que eles estão sem alimentação para os cães e gatos e não tinha material para fazer eutanásia. É muito difícil porque a gente conta com essa ajuda porque nós resgatamos os cães e levamos lá pra fazer o exame. Quando o resultado é positivo, o cão é entregue para eutanásia e quando é negativo a gente leva para a feira de adoção”, explica a protetora.

Quem também precisou do órgão e não foi atendido foi o adestrador de cães Adão Goulart. No início desta semana ele ligou para o CCZ para pedir o recolhimento de um cão com sintomas de leishmaniose que circulava nas ruas do bairro dele. Por telefone, foi informado que o órgão não estava fazendo esse serviço.

“A atendente me disse que não está tendo verba e não está podendo recolher cachorros porque não tem verba para a manutenção dos cães e dos veículos. Conversei também com diretor da Zoonoses, que me falou que não está tendo verba e que devido aos processos do Mar de Lama, foi suspensa. Agora eu te pergunto, o que a população tem haver com isso? Nós temos um problema sério de leishmaniose e a Zoonoses tem que resolver o problema”, defende o adestrador.

No primeiro semestre do ano, Governador Valadares registrou nove casos de leishmaniose em humanos e 1.300 cães tiveram que ser sacrificados por estarem diagnosticados com a doença. A preocupação de Adão é que a suspensão do recolhimento e eutanásia de cães contaminados, façam a doença se espalhar ainda mais.

Devido a esta situação, a página virtual da Aprobem tem recebido diversos pedidos de ajuda para recolhimento de cães aparentemente doentes. “A gente recebe em média, por dia, de 30 a 40 pedidos de ajuda, de pessoas que encontraram um cão doente com sintomas de leishmaniose. A gente liga pra Zoonoses e a resposta é que não tem a carrocinha, não estão fazendo eutanásia”, desabafa Roberta Campos. Ela conta que quando esteve no CCZ, viu ainda que os animais que estavam recolhidos estavam sem alimentação e muito magros, situação que a comoveu.

O G1 entrou em contato com a Prefeitura de Governador Valadares. Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação informou que o recolhimento e eutanásia de cães voltou a ser feito nesta quarta-feira (14). Os cães que estavam recolhidos foram eutanasiados e a partir desta quarta-feira os novos animais recolhidos que forem diagnosticados com a doença serão eutanasiados no mesmo dia.

Já em relação à alimentação dos animais, foi informado que a empresa fornecedora de ração foi impedida de fornecer o produto por decisão da Justiça Federal no dia 11 de agosto, uma vez que a empresa em questão é alvo de investigação. Ainda de acordo com o comunicado, a Secretaria de Saúde está providenciando nova licitação para compra de ração. Há 22 gatos recolhidos no CCZ.

Fonte: G1

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