Em Portugal, canis municipais estão sem espaço para acolher mais animais

Em Portugal, canis municipais estão sem espaço para acolher mais animais

A situação, garante a Associação de Médicos Veterinários Municipais, acontece em muitas autarquias do país e a consequência vai ser o aumento de animais errantes nas ruas.

Ricardo Lobo é médico veterinário em Vila Nova de Cerveira, um dos onze municípios que compõem a Comunidade Intermunicipal do Alto Minho e já recebeu o aviso da falta de espaço no canil: “O centro de recolha oficial intermunicipal da CIM Alto Minho mandou-nos uma nota há duas semanas a dizer que estavam lotados. Só recebem animais mediante o espaço que vá surgindo”.

Com o espaço lotado, os canis passam a receber apenas os casos considerados urgentes. Isso acontece, garante Ricardo Lobo, em muitos outros municípios. “Sei de muitos que estão só a recolher os casos prioritários”.

Vale a pena olhar para os números. A Associação Nacional de Médicos Veterinários dos Municípios estima que todos os anos sejam recolhidos das ruas 60 mil animais. Apenas 1/3 desses animais (cerca de 20 mil) consegue encontrar uma família de adoção. Antes da nova lei, cerca de 12 mil eram abatidos todos os anos. Como esses animais deixaram de ser abatidos, os canis rapidamente esgotam o espaço disponível para recolha. Os animais acabam por ficar na rua.

“A consequência a longo prazo de termos os animais na rua é que eles vão ter tendência a organizar-se em matilhas, a caçar, a ir a galinheiros, a atacar rebanhos. Depois vão se reproduzir descontroladamente e aumentar ainda mais o número de animais errantes nas ruas”, sublinha o médico veterinário que admite mesmo que essa situação possa fazer com que regresse a raiva, doença que em Portugal desapareceu em 1952.

É o alerta deixado pelo médico veterinário, que o leva também a ser crítico da lei que entrou em vigor no final de setembro.

Portugal ainda regista valores de adoção muito baixos. Ricardo Lobo diz que há no entanto exceções. Em Lisboa, por exemplo, o médico veterinário diz que “chegou a ter superavit”, ou seja, mais procura do que animais disponíveis. Mas o mais comum é menos de metade dos animais recolhidos serem adotados.

Por Barbara Baldaia

Fonte: TSF Rádio Notícia / mantida a grafia lusitana original


Nota do Olhar Animal: Essa crise agora é decorrente da negligência dos gestores municipais, que tiveram anos para se adaptar à nova lei e se omitiram. É lamentável que não seja aplicada algum tipo de punição a eles.

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