Em um mês, 374 animais marinhos foram encontrados de Bertioga a Peruíbe, em SP

Em um mês, 374 animais marinhos foram encontrados de Bertioga a Peruíbe, em SP
Somente em outubro, o Gremar localizou 47 tartarugas mortas (Foto: Reprodução/Gremar)

Trezentos e setenta e quatro animais marinhos, entre tartarugas, aves e cetáceos (mamíferos, como baleias e golfinhos), foram encontrados entre a orla de Bertioga e a cidade de Peruíbe, no Litoral Sul, ao longo do mês de outubro. Destes, 340 foram localizados sem vida, alguns já em avançado estado de decomposição.  
Os números foram divulgados a pedido da Reportagem pelos institutos Gremar e Biopesca, que integram o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos. Apesar do grande volume, os balanços, segundo responsáveis pelos dois grupos, estão dentro da normalidade e são semelhantes a outros períodos fora da temporada. O que preocupa é que, em boa parte dos casos, as mortes estão associadas à interação destes animais com redes de pesca ou por ingestão de lixo.

Na área de monitoramento costeiro de responsabilidade do Gremar, que se estende de Bertioga a São Vicente, somente em outubro deste ano foram localizados 165 animais. Destes, apenas 34 estavam vivos.

Conforme a bióloga Rosane Fernanda Farah, o que tem chamado a atenção é o volume de tartarugas marinhas da espécie oliva encontradas em nosso litoral.

“Elas são muito raras aqui em nossa região e, por isso, preocupa muito o índice de encalhe desta espécie. Já foram resgatadas pelo Gremar 16 tartarugas desde agosto do ano passado. Destas, a maioria, quando foi localizada, já estava em estágio avançado de decomposição. O triste em relação às tartarugas olivas é que eram todas adultas, o que compromete muito a conservação da espécie”, explica.

A reprodução delas, segundo Rosane, ocorre no litoral do estado do Alagoas e no Litoral Norte da Bahia. “Um animal adulto desta espécie chega a 72 cm de comprimento curvilíneo de carcaça e pode pesar até 42 kg. Eles se alimentam de peixes, crustáceos, moluscos e águas vivas”.

Segundo o veterinário do Biopesca, todos os animais localizados são examinados (Foto: Divulgação/Biopesca)
Segundo o veterinário do Biopesca, todos os animais localizados são examinados (Foto: Divulgação/Biopesca)

Litoral Sul 

Já entre a orla de Praia Grande e Peruíbe, de acordo com o médico veterinário Rodrigo del Rio do Valle, coordenador geral do Biopesca, ao longo de outubro foram encontrados 209 animais marinhos sem vida – o instituto não resgata animais vivos. A quantidade, segundo ele, é semelhante àquela registrada no mesmo mês do ano passado.

Conforme o veterinário, todos os animais encontrados neste trecho passaram por exames para identificar a causa da morte. Apesar das análises ainda não serem conclusivas, em algumas ocorrências foi achado lixo no trato digestório, evidenciando a interferência humana no meio.

“Muitos dos animais encontrados estão em avançado estado de decomposição, dificultando muito e, em alguns casos, impossibilitando a identificação da causa da morte. Já as amostras recolhidas das carcaças que apresentam condições são encaminhadas para análises laboratoriais a fim de tentar identificar o motivo do óbito”.

Todas as análises ainda são compiladas pelos pesquisadores do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), iniciado em agosto do ano passado. As conclusões deverão ser divulgadas ao final da execução do projeto, que deve se estender até o 2017, de acordo com Valle.

Além do Biopesca e do Instituto Gremar, que atuam nas nove cidades da Baixada Santista, outras 11 instituições executam o PMP no Litoral do Sul e Sudeste. A população pode colaborar, acionando os pesquisadores ao encontrar animais marinhos vivos ou mortos na praia pelos números 90 90 99601-2570 (ligação a cobrar) ou 0800-642-3341.

Por Carolina Iglesias e José Claudio Pimental 

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