Embaixador dos EUA denuncia ‘sindicatos do crime’ que dizimam fauna bravia moçambicana

Embaixador dos EUA denuncia ‘sindicatos do crime’ que dizimam fauna bravia moçambicana

O embaixador norte-americano em Moçambique, Douglas Griffiths, alertou hoje para a existência de “sindicatos do crime” que dizimam a fauna bravia moçambicana “em troca de dinheiro fácil”, explorando a população local, “não deixando nada para as gerações futuras”.

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Em artigo de opinião publicado nesta segunda-feira (02) por ocasião da Celebração do Dia Mundial da Fauna Bravia, que se assinala terça-feira (03), o embaixador dos Estados Unidos em Maputo defendeu maior empenho nos esforços conjuntos para defesa da fauna bravia moçambicana.

“Aqui em Moçambique, os sindicatos do crime fortemente armados e bem financiados estão a dizimar o patrimônio nacional em troca de dinheiro fácil, não deixando nada para as gerações futuras e explorando os cidadãos locais. Em vez de falarmos sobre a criação de postos de trabalho para especialistas em fauna bravia, guias turísticos e biólogos, temos que falar em primeiro lugar sobre os criminosos armados com AK-47 e outros tipos de instrumentos letais”, afirmou Douglas Griffiths.

No artigo intitulado “Comércio do Marfim Tornou-se o Comércio de Diamantes de Sangue do Passado”, Douglas Griffiths considera que “este não é apenas um problema moçambicano ou africano. É um problema global que exige uma resposta global. Estas espécies são traficadas em todo o mundo, incluindo para os Estados Unidos”.

Por isso, acrescentou, “o Presidente Obama lançou recentemente uma estratégia ambiciosa que inclui a sensibilização diplomática, diplomacia pública, formação e parcerias. Os Estados Unidos também proibiram a venda de produtos de marfim e chifres de rinoceronte”.

O diplomata assegurou que o governo norte-americano tem apoiado “fortemente os esforços de Moçambique para melhorar as suas leis internas de combate à caça furtiva”, estando a trabalhar com parceiros regionais nesta luta “cientes de que há mais por ser feito”.

“A urgência da situação é clara e não pode ser menosprezada”, disse Douglas Griffiths, citando o secretário de Estado norte-americano John Kerry, que recentemente afirmou que “o comércio do marfim tornou-se o comércio de diamantes de sangue do passado”.

“Cada um de nós deve fazer a sua parte a fim de aumentar a consciência sobre esta importante questão, proteger o patrimônio natural de Moçambique, e melhorar a vida das comunidades moçambicanas”, apelou.

O Dia Mundial da Fauna Bravia, proclamado pela ONU, marca o aniversário da adoção da sexta Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em perigo de extinção (CITES), um tratado internacional que visa assegurar que o comércio global não ameace a herança natural no globo terrestre.

Fonte: Sapo (Portugal) / mantida a grafia original

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