Entidades cobram políticas públicas para proteção animal em Londrina, PR

Por Simoni Saris

A falta de políticas públicas para os animais abandonados em Londrina resultou em uma superpopulação de cães e gatos e tornou-se uma questão de saúde pública. Há várias administrações, entidades protetoras de animais cobram do poder público uma solução para o problema e reivindicam a destinação de verbas para programas de educação e controle populacional, mas pouco foi feito até agora. Às vésperas das eleições municipais, representantes das entidades lembram que a redução do número de cães e gatos deveria ser colocada na lista de prioridades dos candidatos a prefeito já que a reprodução sem controle agrava ainda mais o quadro.

Presidente da ONG SOS Vida Animal, Ana Paula Moller Policeno defende que o próximo prefeito atue no foco do problema, promovendo a castração, vacinação, doação e educação da população sobre a guarda responsável. Ana Paula, que é veterinária e desenvolveu sua dissertação de mestrado sobre a implantação de novas diretrizes baseadas na medicina veterinária do coletivo, diz que a construção do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) não seria a iniciativa mais relevante para o município.

“O centro de zoonoses não é um lugar de consulta, para cuidar de animal de rua. Ele atua para evitar a propagação das zoonoses (doenças transmitidas pelos animais). O centro não vai resolver a questão dos animais abandonados”, afirmou.

O projeto de construção do CCZ foi desenvolvido durante a administração do início dos anos 2000 e encampado por todos os outros gestores desde então, mas nunca saiu do papel. “Precisamos trabalhar pela guarda responsável porque muitas fêmeas ainda são abandonadas com suas crias. Para que o problema consiga reduzir, tem que evitar novos nascimentos”, avaliou Ana Paula.

Juntamente com a Secretaria Municipal de Saúde, a ONG SOS Vida Animal elaborou um convênio com o município que prevê o repasse mensal de R$ 15 mil à entidade, sendo R$ 6 mil para serem investidos na educação e R$ 9 mil para a manutenção de um abrigo rotativo com capacidade para 70 animais. A proposta do abrigo, apresentada pelo município, é acolher fêmeas prenhes ou mães com filhotinhos. O convênio, segundo Ana Paula, ainda não foi assinado por questões burocráticas. “Esse convênio é bem importante e nós não vamos desistir.”

PROGRAMA MUNICIPAL

Na atual administração, a prefeitura implantou, em outubro de 2015, o Programa Municipal de Castração de Animais, com duração de um ano podendo ser prorrogado por até 60 meses. O valor do contrato anual é de R$ 270 mil. O programa foi dividido em três fases. Na primeira, foram castrados os animais dos beneficiados pelo Bolsa Família e, na segunda etapa, os acumuladores. Agora, na terceira fase, estão sendo castrados os animais assistidos pelas entidades protetoras.

Até o momento, 44 animais foram castrados, mas os procedimentos estão suspensos em razão de questões burocráticas. Uma das clínicas credenciadas deixou o programa e teve de ser feito um aditivo contratual para que os repasses que seriam feitos à clínica desistente sejam destinados à clínica que continua atendendo. “O programa é válido, mas foi desenvolvido sem muito critério, sem um estudo da dinâmica de castração. Fiz o cadastro dos nossos animais, mas até agora não recebemos nenhuma castração”, disse Ana Paula. Além da castração, o programa prevê vermifugação, vacinação e implantação de microchip nos animais.

“Tem muitos políticos que dizem que vão trabalhar pela solução do problema dos animais abandonados, mas esses políticos têm que colocar a proposta no papel para que exista um compromisso e a gente possa cobrar. Os quatro anos passam mais rápido do que as ações”, disse a presidente da ONG.

UNIDADE DE ATENDIMENTO

A representante do Projeto Sete Vidas, Silvana Chineze, acredita que o mais importante para a cidade neste momento seria a instalação de uma espécie de unidade de pronto atendimento veterinário com profissionais voluntários. “Se a prefeitura pagasse o aluguel de um espaço e os equipamentos, muitos veterinários poderiam dedicar meio período uma vez por semana para atuar voluntariamente no local. O atendimento não precisa ser gratuito, mas poderia ser cobrado o preço de custo. As pessoas carentes têm amor pelos animais e cuidam deles, mas não têm dinheiro para pagar pelos tratamentos e castrações. Dentro desse espaço, poderiam ser feitas as castrações solidárias”, disse a representante da entidade que atende gatos em situação de abandono. “(A unidade de atendimento) Não é uma utopia. É possível. Não adianta pensar em programas sem viabilidade de execução.”

No ano passado, o Projeto Sete Vidas castrou mil gatos. Neste ano, já foram 850 castrações. Silvana lembra que um gato fêmea pode ter três crias por ano, com uma média de cinco filhotes por vez. Um gato macho, por sua vez, cruza o ano todo com várias fêmeas, o que resulta em um alto índice populacional. Para controlar a natalidade, afirma Silvana, só com um bom programa de castração.

“Seria muito importante se tivesse esse local para socorrer os animais e que depois a gente pudesse doá-los. Temos que nos unir, organizar a questão do planejamento e trabalhar em conjunto. Assim, a gente vai conseguir.”

Fonte: Bonde

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