Episódios de maus-tratos com animais continuam recorrentes em Botucatu, SP

Episódios de maus-tratos com animais continuam recorrentes em Botucatu, SP
Ato ocorreu na noite de ontem (22) para recordar caso e dar destaque à causa animal. (Foto: Agência 14 News)

Embora nem sempre denunciados, casos de maus-tratos são recorrentes em Botucatu. Um dos episódios mais recentes foi no último domingo (19), quando uma cachorra, amarrada no quintal da casa dos tutores, sob sol forte, sem água e comida, morreu. O laudo da morte está em averiguação na Polícia Militar Ambiental de Botucatu, e protetores da causa animal exigem que a justiça seja feita.

Para dar relevância ao ocorrido, na noite de ontem (22) centenas de protetores fizeram uma passeata por ruas da Vila Padovan, onde está localizada a residência em que o animal morreu. Em entrevista ao Diário, a protetora Luciana Cruz, uma das organizadoras do movimento, relatou que, independentemente da causa do óbito, a situação em que a cachorra estava já se configurava como maus-tratos e, portanto, já é um crime.

De acordo com ela, “as condições em que o animal estava já são maus-tratos, não tem nem o que questionar, não precisa de necropsia para isso. As provas já estão expostas, tem fotos, mesmo que a água estivesse ali, desde às sete horas da manhã já estaria quente, então o animal não vai beber”.

Durante a entrevista, ela ainda recordou outros casos recentes de maus-tratos também ocorridos na cidade, como um cachorro morto a facadas.

Assim como ela, outros moradores têm relatado episódios semelhantes, embora nem sempre os relatos se transformem em denúncias junto aos órgãos oficiais. No Jardim Cambuí, por exemplo, moradores reclamam de constantes casos de abandono e, também, de envenenamento de animais. “Como é um bairro distante, o pessoal sempre abandona aqui, vira e mexe você vê novos cachorros vagando pelas ruas, e as pessoas também sempre falam de envenenamento”.

O relato é da moradora do bairro Vera Lúcia, que na última segunda-feira (22) viveu a experiência de perder um animal de estimação vítima de envenenamento. Ela recorda que o cachorro da mãe dela estava passeando, como de costume, pela rua sozinho, mas, ao contrário das vezes anteriores, naquele dia ele voltou para casa bastante debilitado, cambaleando e babando muito.

Como a família estava sem carro, a solução foi tentar dar bicarbonato para o animal, na tentativa de fazê-lo vomitar, mas não resolveu. Cerca de 10 minutos depois ele veio a óbito. “Foi muito rápido, não deu tempo de fazer nada”, lamenta Vera Lúcia.

Ela conta que, antes de morrer, o cão estava evacuando sangue e espumando pela boca, mesmos sintomas que outra cachorra do bairro apresentou no mesmo dia, por isso a desconfiança de envenenamento. Mas a cadela conseguiu atendimento veterinário rápido e acabou sobrevivendo.

“Mas tem muito abandono de cachorro aqui, e daí quem não gosta vai matando”, desabafa a moradora.

Por Luciana Faria

Fonte: Diário de Botucatu

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