Espanha é o segundo país do mundo que mais importa troféus de caça

Espanha é o segundo país do mundo que mais importa troféus de caça

As polêmicas fotos de famosos com animais mortos são só a ponta do iceberg, segundo mostra um detalhado levantamento internacional.

Por Joaquim Elcacho / Tradução de Pâmela Miler

As polêmicas imagens do jogador de futebol Hristo Stoichkov, do ator César Cadaval ou do rei Juan Carlos sorrindo junto ao cadáver de um animal selvagem não são feitos isolados.

A Espanha ocupa a segunda posição do mundo – superada apenas pelos Estados Unidos – no ranking de países importadores de troféus de caça, conforme indica o Killing for Trophies, publicado esta semana pela International Fund for Animal Welfare (IFAW), uma das organizações de defesa e bem-estar dos animais mais importantes do mundo.

Os resultados deste relatório são especialmente significativos porque se baseiam nas declarações oficiais registradas entre os anos de 2004 e 2014 pelos próprios países e pela Convención Internacional para el Comercio de Especies (CITES).

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A importação de troféus de caça é um dos indicadores das atividades dos caçadores (profissionais ou aficionados) de cada país no estrangeiro, posto que muitos deles participam em safaris e viagens organizadas para matar grandes animais e depois tramitam a importação das peças aos seus respectivos países.

Vinte países concentram o negócio:

O relatório da IFAW calcula que mais de 1,7 milhões de troféus de caça foram objetos de comércio internacional entre 2004 e 2014, e que mais de 200 mil destes troféus procediam de espécies catalogadas em perigo de extinção. No decênio estudado, 97% do comércio de troféus se concentrou em apenas 20 países. Os Estados Unidos é o líder indiscutível nesta lista, com mais de 150 mil troféus de caça importados (71% do total de importações de todo o mundo), seguido da Espanha, com mais de 10 mil importações (4,9% do total) e depois a Alemanha, com mais de nove mil (4,5%).

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O relatório da IFAW dedica um capítulo específico e recorda que “na Espanha existe uma forte cultura de troféus de caça”. A lista de troféus importados na Espanha está encabeçada por peças procedentes de antílopes, elefantes, hipopótamos, leões e babuínos. A maior parte dos troféus procederam da África do Sul (26%), Argentina (14%), República Democrática do Congo (11%), Namíbia (9%), Canadá (9%) e Tanzânia (9%).

Na seção do relatório da IFAW dedicado à Espanha, foi incuída uma parte em que se relatam diversas polêmicas que envolveu o rei Juan Carlos; desde a morte de um urso na Rússia em 2006 até a mais conhecida caça ao elefante em Botsuana em 2012.

Análise de uma realidade pouco conhecida

As atividades de caça que incluem a obtenção de troféus (pele, chifres e similares) são amplamente conhecidas em boa parte do mundo, mas até agora não tinham sido quantificadas de forma oficial.

As polêmicas pela aparição de fotografias de pessoas famosas junto a animais mortos, a morte de animais emblemáticos (como o famoso caso do leão Cecil) ou o leilão de direitos de caça são somente alguns dos exemplos pontuais de uma realidade de grande alcance.

“Nossos investigadores estudaram minuciosamente muitos registros da CITES e das bases de dados de comércio para produzir uma visão exaustiva da situação de troféus de caça internacional”, explica Jeffrey Flocken, em nome da IFAW, em um artigo que acompanha a apresentação dos dados. “Esperamos que estes dados sirvam como um recurso valioso para os conservadores, científicos, governos e partes interessadas que desejam tomar decisões sobre os troféus de caça e a proteção da vida silvestre”.

Fonte: La Vanguardia

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