Espanha: governo de Valência deve pagar pelo maltrato de 40 cavalos

Espanha: governo de Valência deve pagar pelo maltrato de 40 cavalos

Por Arturo Checa / Tradução de Alice Wehrle Gomide

É só ver esta foto, a natureza morta que abre estas linhas. Esse era o cardápio diário de 40 cavalos. Um grupo de equinos torturados e deixados abandonados à morte por um desalmado no município alicantino de Callosa de Segura, na Espanha. A notícia já chegou nas Proínvias, com a alegria pela condenação de nove meses de prisão que recaiu sobre o responsável deste inferno. Aqui detalharei agora um pouco mais do pesadelo em que estavam vivendo esses cavalos, que não somente de cachorro e gatos, por desgraça, vivem os infames maltradores. E contarei também o grande trabalho que El Refugio del Burrito realiza, uma associação que vive para ajuda os cavalos, burros e todo tipo de animais. Conforme eles mesmo contam: “Investigamos casos de negligência, abuso, maltrato ou abandono a burros e mulas em toda a Espanha. Existem mais de 300 animais vivendo em nossas granjas. Desde janeiro de 2016 temos participado em 56 investigações e recolhido 135 animais. No mês de fevereiro realizamos um resgate em massa de cerca de 100 burros em Cáceres. Além disso, El Refugio del Burrito age ativamente em causas que pedem a aplicação e melhoria das leis vigentes relativos ao bem-estar animal”. Certamente, como não podia ser de outra maneira, eles precisam de uma injeção econômica e tem o refúgio saturado. Se alguém quiser, aqui vai um projeto para colaborar.

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O alerta foi dado por Caballos Luna, outra dessas entidades que se dedica a velar por esses animais. Outro anjo da guarda de burros, cavalos ou mulas. Ao chegar no local para comprovar os feitos, El Refugio comprovou como os animais apenas se mantinham em pé.  Desnutridos, devorados pelas moscas, repletos de feridas e abandonados à própria sorte. Seu cardápio diário, frutas e verduras em estado de putrefação. Sem lugar para sequer galopear. Um sonho impossível comparado com a realidade dos equinos. Presos com correntes de ferro que dificultavam sua mobilidade. Os cascos estavam infectados e tremendamente danificados.

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O grupo vivia entre escombros, chapas metálicas oxidadas e restos de arames com espinhos. O menos idílico do mundo. Um inferno pelo qual o autor recebeu uma contundente condenação do juizado Penal número um de Orihuela: nove meses de prisão e, acima de tudo, três anos de inabilitação, o que o impedirá de exercer como empresário equino, se é que se pode chamar disso a essa barbaridade. A sentença deixou bem clara a atitude do condenado: “Seu flagrante desvalorizou a vida, saúde e bem-estar dos animais, deixando voluntariamente de realizar os mínimos deveres de alimentação e cuidado  dos mesmos, provocando com isso o detrimento do estado de saúde de ditos equinos e inclusive a morte de alguns deles”.

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A primeira denúncia do El Refugio del Burrito foi ignorada, mas graças à intermediação do Eurogrupo pelos Animais e a uma campanha de recolhimento de assinaturas que pedia o fechamento definitivo das instalações, o caso foi reaberto. A associação protetora de burros e mulas recebeu uma ordem de confisco temporário que permitiu o traslado dos animais a suas instalações. A equipe de Bem-Estar Animal do El Refugio del Burrito entrou em contato com outras protetoras e colocou 14 cavalos em segurança no Easy Horse Rescue Centre, de Alicante. Não se pode evitar a morte de outros três cavalos que estavam em propriedade do mesmo dono.

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A denúncia e ação da protetora de animais vão até mais além: colocou a responsabilidade do ocorrido no Conselho Municipal, por inação ao permitir o maltrato dos equinos. Isso encheu a boca de muitos dirigentes que defendem os direitos dos animais, mas na prática permitem situações como esta. Ambos os refúgios reclamaram perante o Conselho de Agricultura da Comunidade Valenciana os gastos derivados do cuidado e da alimentação dos animais. Essas organizações fornecem atenção veterinária e refúgio para o resto da vida dos equinos em situação de abandono e/ou maus-tratos. As administrações públicas carecem da capacidade e da infraestrutura para cuidar desses animais, razão pela qual os refúgios empregam recursos próprios – procedentes do apoio de seus sócios – para ajudar nos gastos.

Lutar pelos direitos dos animais é mais do que apenas encher a boca com eles. É preciso agir. Como o El Refugio del Burrito. Na hora certa.

Fonte: Las Provincias

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