Campainha-azul Eduardo Franco/Wikiaves

Especialista alerta sobre conflitos de animais com o ambiente urbano

Junto com o crescente processo de urbanização no país, a relação do ser humano com a natureza se tornou cada vez mais conflituosa. E na Belo Horizonte de 2019, esse cenário não se alterou e muitos ainda insistem em enxergar os animais como inimigos ou propagadores de sujeira e doenças, como na região da Pampulha, onde capivaras e até mesmo jacarés causam dores de cabeça à população. Mas travar uma guerra contra eles seria a melhor solução?

O gerente de defesa dos animais da Secretaria Municipal de Saúde de BH, Leonardo Maciel, alerta que o cenário é preocupante. “A nossa espécie está colonizando o planeta, e vai colonizar ele inteiro. O espaço para as outras espécies realmente vai diminuir, em muitos lugares vai acabar. No conflito entre os humanos e as outras espécies, eles vão perder, infelizmente. O que temos que entender é que a nossa sociedade hoje não tem somente culturas, línguas, gêneros, religiões e pessoas diferentes. Nós somos uma sociedade multiespécie. Os não humanos também fazem parte dela, do nosso conjunto. Eles têm tanto direito de usufruir o planeta quanto nós”, afirma Maciel.

O especialista conta ainda que praticamente todos os animais que vivem no ambiente urbano possuem algum tipo de conflito com o ser humano. “Você tem o cidadão que não quer que a maritaca faça ninho no telhado dele porque faz barulho, existe conflito com pombos urbanos, urubus por risco de acidentes aéreos, cachorros e gatos de rua, com alegações de que eles atacam pessoas”, explica.

O universitário Rodrigo Mantovani, que mora em um condomínio próximo a Itabirito, é uma das pessoas que têm um convívio maior do que gostaria com animais silvestres. “Já houve casos de micos que entram na cozinha para roubar bananas, passarinhos. Quando eu mudei pra cá, a gente deixava o lixo em frente à casa, mas começamos a reparar que o lixo ficava todo destruído, e percebemos que era por causa de alguma ave de rapina. Tivemos que mudar a rotina e deixar o lixo direto na portaria. Um dia um gambá entrou dentro de casa, mas a minha cachorra acabou matando ele”, contou o universitário.

Segundo Rodrigo, ele e a família nunca agridem os animais, apenas os afugentam quando necessário.

Espécies nos parques são ameaçadas de extinção

Uma das maiores atrações nos parques da capital mineira são os animais silvestres que habitam neles. Micos estrela, jacus, quatis e uma diversidade enorme de passarinhos. Porém, o que muitos não sabem é que parte dessas espécies estão sob ameaça de extinção.

Os parques de BH somam um total de 1.043 espécies, sendo que somente o Parque das Mangabeiras, na região Centro-Sul, abriga 391 tipos diferentes de animais. Do total, a fundação informou que 26 sofrem risco de extinção.

Muitos hábitos humanos prejudicam os animais, mas um que é fácil de evitar é alimentar os bichos. “Quando pessoas ofertam alimentos aos animais, podem transmitir doenças. O mico estrela, por exemplo, pode contrair gripe e herpes das pessoas. Este animal é muito susceptível ao vírus da herpes e, o que causa uma pequena ferida na boca das pessoas, pode ser mortal para os micos, dizimando populações inteiras de um parque. Além disso, as matas dos parques possuem tudo os que os animais necessitam”, explica a gerente de educação ambiental da fundação, Nadja Simbera.

Fonte: Metro Jornal

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