Especialistas alertam sobre cuidados com animais silvestres encontrados em residências em Cuiabá, MT

Especialistas alertam sobre cuidados com animais silvestres encontrados em residências em Cuiabá, MT

Ir estender roupa domingo de manhã, olhar para o pé de manga, observar algo cinza e perceber que é uma cobra, foi o que aconteceu no último dia 11 com Vilma Maria em sua residência, próximo ao Parque Mãe Bonifácia na Capital. No período de chuvas os animais peçonhentos costumam ser encontrados nas casas e de acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, de janeiro até o momento, foram registradas cerca de 2.070 ocorrências envolvendo esse tipo de chamado, dessa forma, representando 4,3% do total de ocorrências do ano.

Além do caso da Vilma, o Circuito já noticiou o caso de uma jiboia de 1,5 m encontrada na suspensão de uma caminhonete e teve também a situação em que um jacaré foi avistado em frente a uma casa, no bairro Santa Rosa.

O Tenente Nélio explicou que durante o período de chuvas os animais procuram algum lugar mais seco para poder se abrigar, o que na zona urbana acaba sendo dentro das casas, e as equipes estão sempre sendo acionadas para esses casos, principalmente das cobras. Porém são muitos animais peçonhentos que realizam isso, como as aranhas e escorpiões.

A Professora Christine Strussmann, da Faculdade de Veterinária e do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), explicou ao Circuito Mato Grosso que esses animais saem em busca de comida, reprodução e novas áreas para vier.

Bombeiros resgatam jiboia de 1,5 m em residência na Capital, em 2017.

“Esses animais sempre estiveram em Cuiabá e continuam aí. O que acontece é que nessa época do ano às vezes o volume de água aumenta demais, nos esgotos urbanos por exemplo, e eles acabam se deslocando mais. E a população humana vai invadindo cada vez mais espaços e ocupando, as vezes ilegalmente, áreas de nascentes, córregos que é onde esses animais vivem”.

Christine aponta que esses animais tem um papel ecológico e eles ajudam a controlar a população das presas, como as baratas. Mas o que acontece muito, e ela já recebeu imagem e mensagens, é que as pessoas costumam matar e envenenar “sem nenhuma necessidade”, como diz a professora.

“Geralmente esses animais não são perigosos. Eles estão morrendo em vão, por falta de informação”, declara Christine. O tenente relata que muitos só atacam quando se sentem ameaçados. “Às vezes a pessoa encosta sem querer, sem ver, e a cobra reage. Ela não foi ali para picar ninguém”.

Tanto o tenente quanto a professora apontam para o cuidado como lixo para evitar que esses animais apareçam. “Existem uma série de atitudes que podem diminuir o problema. Tem que tomar muito cuidado com o lixo, não basta pegar e jogar no terreno ao lado, vai dar na mesma”, diz a professora.

“Se deve fazer uma limpeza ao entorno, evitar entulho porque é um lugar propicio para esses animais peçonhentos se alojarem”, completa o tenente.

Quando se encontra algum animal silvestre nas residências é importante acionar uma equipe do Corpo de Bombeiro pelo número 193. “A gente orienta que não mexa, não toque no animal. Até porque o cidadão não tem técnica para manusear, mobilizar… E dependendo do animal pode até causar risco de vida. O ideal é isolar e se afastar do local. O Corpo de Bombeiros vai capturar e levar até o seu habitat natural”, aponta o tenente Nélio.

Christine aponta que para além de acionar os bombeiros, pode acionar grupos de estudos da UFMT que recolhem, cuidam, estudam e soltam os animais em seu habitat também. Ela disponibilizou seu telefone pessoal (98112-8254) para esses chamados.

Por Juliana Alves 

.Fonte: Circuito Mato Grosso


Nota do Olhar Animal: Cuidado com os animais nos dois sentidos. Para não se ferir e principalmente para não ferir os próprios animais, comumente muito mais frágeis e vulneráveis que os humanos que os encontram.

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