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Especialistas debatem os Direitos de Gaia e a Libertação Animal na Amazônia

Por Lucila Vilar

Com uma programação intensa e diversificada, a Conferência “Direitos de Gaia e Libertação Animal” reuniu diferentes atores sociais, que debateram questões relativas ao tema. Estiveram presentes na mesa sobre “Direitos de Gaia” o professor Thomas Mitschein, coordenador do Programa Trópico em Movimento; o deputado federal Edmilson Rodrigues; Tadeu Breda, jornalista e tradutor do livroO Bem Viver – Uma oportunidade para imaginar outros mundos, escrito pelo político e economista equatoriano Alberto Acosta; e Raimundo Moraes, promotor de Justiça no Ministério Público do Estado do Pará.

“Eu, pessoalmente, estou convencido de que a alternativa para o Brasil tem que nascer na Amazônia, a partir da civilização original dos trópicos, por meio de uma sociedade que incentiva a reocupação de áreas degradadas. Se isso fosse um aspecto importante para a política brasileira, a Amazônia seria uma referência para o desenvolvimento do País”, disparou Thomas Mitschein. Contudo, no cenário nacional, a Amazônia é um “peso leve” e, por isso, não tem influência política suficiente para tal empreendimento. A solução para o problema seria a criação de um grande e denso mutirão no âmbito da educação pública,  “o que nós precisamos é de uma revolução no campo da educação.”

Para Mitschein, a questão dos Direitos de Gaia passa diretamente pelo processo de colonização da natureza interna do ser humano, em que a ascensão da ciência e tecnologia transformou o homem em senhor da natureza. Contudo este modelo exploratório não permite perspectivas que conciliem o homem e a natureza. A América Latina poderia ser um centro de resistência e uma eventual esperança a este processo.

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Para o deputado federal Edmilson Rodrigues (PSOL), foi ousada a proposta da Universidade ao realizar um seminário sobre os Direitos de Gaia, pois “mesmo nós, amazônidas, não incorporamos o direito para além do ser humano”. Além disso, “se queremos pensar Gaia, temos que aprender a amar o mundo e a humanidade e respeitar as diferenças de povos que não, necessariamente, nasceram no território brasileiro e que, no fundo, também é uma invenção dos colonizadores”, pontuou Edmilson.

“Temos a ilusão de que vivemos na fronteira do conhecimento, contudo o processo de libertação humana não acabou. Somos seres agressivos e não nos conhecemos, por isso não é possível cuidar de Gaia se não cuidarmos de nós mesmos antes”, afirmou Raimundo Moraes, promotor de Justiça no Ministério Público do Estado do Pará.

O jornalista Tadeu Breda apresentou aspectos sobre o Bem Viver, que “não é um slogan de autoajuda é, essencialmente, político, civilizatório. É uma mudança radical no padrão de vida ocidental”, explicou. O conceito surgiu no período que antecedeu as comemorações dos 500 anos do “descobrimento” da América em países como o Equador, Guatemala e Bolívia. Foi um processo de conscientização política indígena que, entre outras pautas, criou a campanha para a criação de um Estado Nacional. No Equador, o Bem Viver é um princípio constitucional.

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A segunda mesa da Conferência foi voltada para o tema “Libertação Animal” e contou com a presença de Bruno Pinheiro, coordenador nacional da Frente de Ações pela Libertação Animal (FALA);  Marcos Lemos, diretor da Delegacia de Combate a Crimes contra a Fauna e a Flora, da Divisão Especializada em Meio Ambiente (DEMA); Fidelis Paixão, pesquisador do Programa Trópico em Movimento; Suely Palheta, que participa da iniciativa “Peludinhos da UFPA”; Luciana Bastos, ativista dos direitos animais; Juliano Salgado, diretor executivo  do Movimento Social Teko Porã Amazônia; e Patrícia Souza, da Veg Casa.

Ao pensarmos sobre o conceito Direitos Animais, é necessário associá-lo à justiça social, além disso, não se restringe a cães e gatos,  “é contra todas as formas de discriminação que existem na sociedade. Trabalha na defesa da sustentabilidade em todas as suas dimensões, que seria a base de um novo modelo civilizatório”, esclarece Bruno Pinheiro.

Para o coordenador nacional da Frente de Ações pela Libertação Animal (FALA), a defesa de animais trata dos mais fortes defenderem os mais fracos, “a nossa sociedade sempre se achou no direito de explorar indivíduos mais fracos, contudo, na linha de pensamento oposta, nós temos o dever de proteger”. Neste sentido, “acreditamos que não é porque o indivíduo nasceu em outra espécie que isso nos dá o direito de subjugá-lo.”

Bruno Pinheiro falou também sobre a senciência que é o conceito que trabalha a sensibilidade e a consciência animal. Para ele, “não se trata da luta entre o bem e o mal, mas de uma batalha entre conhecimento e ignorância. O ser humano costuma ignorar toda dor, sofrimento e escravidão que impõe aos outros animais.”

“A nossa sociedade é veladamente racista, orgulhosamente machista e homofóbica e inconscientemente especista. Ninguém perde por tentar ser justo”, afirmou Bruno Pinheiro. Para ele, a sociedade atual vive uma patologia moral em que finge não ver a crueldade com os animais.

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Matinta Encantada – A conferência contou com a performance da Matinta Encantada, que, pelo teatro, conscientiza as pessoas para a preservação do meio ambiente e da cultura, além de resgatar as lendas e os mitos regionais. A atriz Maria Borges dá vida à personagem e está no ramo artístico há  mais de 20 anos, criou a lenda e vive a personagem ecológica que protege a natureza. Para Maria Borges, as discussões que permeiam o tema Direito de Gaia estão diretamente ligadas às ações desenvolvidas pela Matinta Encantada.

A Conferência Direitos de Gaia e Libertação Animal aconteceu nos dias 6 e 7 de maio, no Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), foi realizada pela Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Programa Trópico em Movimento, em parceria com o Movimento social Teko Porã Amazônia e apoio da Frente de Ações pela Libertação Animal (FALA), sediada em Brasília.

Fonte: Universidade Federal do Pará

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