Esta é a situação dos gatos e cães utilizados em rituais no México

Esta é a situação dos gatos e cães utilizados em rituais no México
Os gatos são um dos animais mais utilizados nessas práticas. Créditos: Freepik/arquivo.

Crenças como dizer que gatinhos brancos dão “boa sorte” enquanto os pretos são sinônimo de “maus presságios” fizeram com que tanto esses gatos quanto outras espécies fossem vítimas de rituais e sacrifícios que ainda são atos que violam os direitos dos animais.

Como prova do exposto, basta pensar no que aconteceu em Naucalpan, Estado do México, quando elementos da Procuradoria-Geral resgataram 27 animais de diferentes espécies que teriam sido utilizados para sacrifícios relacionados com a Santeria.

Lorena Rivera é fundadora do Santuário Cuatro Patitas Un Corazón. Créditos: Especial.
Lorena Rivera é fundadora do Santuário Cuatro Patitas Un Corazón. Créditos: Especial.

Sobre este tema, no El Heraldo de México, assumimos a tarefa de entrevistar Lorena Rivera Garnica, fundadora do Santuário Cuatro Patitas Un Corazón, organização que desde 2011 se dedica ao resgate, esterilização e adoção de animais no estado de Hidalgo. Nós dizemos a você.

Quais animais são os mais utilizados em rituais e sacrifícios?

As pessoas denunciam este tipo de casos. Créditos: Freepik/arquivo.
As pessoas denunciam este tipo de casos. Créditos: Freepik/arquivo.

 

Segundo Lorena Rivera, os relatos que recebem no Santuário Cuatro Patitas Un Corazón sobre animais utilizados em rituais ou sacrifícios relacionados às práticas de Santeria ocorrem principalmente quando as pessoas encontram as vítimas já mortas.

O exposto fica evidente porque os animais costumam apresentar certos sinais de violência quando são encontrados ou, sinais de que algo estava aceso ou certos acessórios relacionados à Santeria. Quem são as principais vítimas?

Segundo depoimento de Rivera Garnica, entre os animais mais utilizados em rituais e sacrifícios estão gatos, cachorros e galinhas. Esta situação fez com que Cuatro Patitas un Corazón fosse uma organização cuidadosa sobre quais pessoas devem ceder para adoção os animais que protege, especialmente se forem gatos pretos ou brancos.

“Outra situação é a dos cachorrinhos pretos, que são os menos adotados e no final são muitos na rua. Então, infelizmente, eles têm mais chances de serem pegos”, compartilhou a ativista.

Por que os rituais também são uma forma de maus-tratos a animais?

Os animais também possuem uma declaração de seus direitos. Créditos: Freepik/arquivo.
Os animais também possuem uma declaração de seus direitos. Créditos: Freepik/arquivo.

Apesar das consequências do uso de animais na Santeria, para Rivera o México está muito atrasado em termos de regulamentação. Nesse sentido, deu como exemplo que embora o tema não seja abordado no nosso país, no continente europeu já existem leis sobre o assunto.

E entre os principais argumentos daqueles que são a favor destas práticas está o “direito ao culto”. Contudo, não devemos perder de vista que assim como existe uma Carta Universal dos Direitos Humanos, existe também uma Declaração dos Direitos dos Animais que, entre os seus pontos mais importantes, afirma que:

  • nenhum animal deve ser submetido aos maus-tratos nem a atos cruéis
  • nenhum animal deve ser explorado para entretenimento dos seres humanos
  • todo ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, um crime contra a vida

“No final há liberdade de culto, mas precisamos trabalhar arduamente, porque no final estamos transgredindo os direitos dos animais por um direito humano e, no fina,l voltamos a cair na mesma coisa pela qual lutamos, que é não ser especistas”, — disse Lorena.

O que fazer perante o uso de animais para rituais ou sacrifícios?

A fundadora da Cuatro Patitas Un Corazón explicou que geralmente os rituais que envolvem animais são realizados em locais privados ou de difícil acesso. Nesta situação, o mais conveniente é promover a prevenção deste tipo de atividades.

Principalmente nos últimos meses do ano, as organizações de defesa dos animais iniciam uma série de campanhas que visam ter cuidado com a adoção de gatinhos ou cachorrinhos pretos e brancos, já que são os mais utilizados neste tipo de práticas.

E em épocas como Halloween, Dia dos Mortos ou Réveillon, o número de rituais com animais tende a aumentar, já que às vezes as pessoas os consideram boa ou má sorte, e até realizam certas práticas “com o fim de fechar ciclos”.

Outros tipos comuns de maus-tratos a animais

O abandono é outra forma frequente de maus tratos. Créditos: Freepik/arquivo.
O abandono é outra forma frequente de maus tratos. Créditos: Freepik/arquivo.

Além do uso de animais em rituais, o abuso de animais pode ser visto em diversas situações. No caso do Santuário Cuatro Patitas Un Corazón, um dos atos mais recorrentes é o abandono dos cachorros, pois as pessoas os deixam na rua, mudam de casa e os abandonam e até os atropelam.

Em Real del Monte – município de origem de Lorena Rivera – outra das práticas mais frequentes é o envenenamento em massa de animais, especialmente cães. No entanto, o mais alarmante é que até as autoridades têm alegadamente estado em conluio.

A situação chegou a tal nível que segundo dados de pesquisa do Instituto Belisario Domínguez (IBD), se presume que sete em cada 10 animais domésticos sofrem algum tipo de abuso e situações como esta fazem com que o México ocupe o primeiro lugar neste problema na América Latina.

Quem protege os animais também corre riscos

Os protetores dos animais também correm riscos. Créditos: Facebook/Cuatro Patitas Un Corazón.
Os protetores dos animais também correm riscos. Créditos: Facebook/Cuatro Patitas Un Corazón.

Diante deste panorama em que os direitos dos animais são constantemente violados em todo o país, existem ativistas e organizações que se dedicam a garantir o seu cuidado e proteção. No entanto, eles também estão em risco constante.

Um exemplo do exposto é o que aconteceu com Lorena Rivera, pois no dia 31 de dezembro de 2021 entraram em seu espaço e levaram 13 dos 16 cães que tinham naquela época no município de Real del Monte.

Não recebendo a devida atenção das autoridades, convocaram uma manifestação. No entanto, foram reprimidos e ela, juntamente com o marido, foi privada da sua liberdade durante horas, até que finalmente o seu caso se tornou viral nas redes sociais e foi exigida a sua libertação imediata.

“Até hoje, foi uma das experiências, senão a mais terrível e vulnerável que já tive e não desejaria isso a ninguém. Você sente que tudo pode acontecer com você e que ninguém vai te ajudar”, disse a ativista.

Por Sandra García / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: El Heraldo de México

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