Estas galinhas estavam prestes a serem sacrificadas nas ruas de Nova York

Estas galinhas estavam prestes a serem sacrificadas nas ruas de Nova York
Fotos: Rebecca Moore

Em um dia ensolarado e quente no início do mês, duas galinhas entraram em um quintal com grama e aproveitaram o sol.

As fezes que manchavam suas penas tinham sido lavadas de seus corpos. Seus pequenos pés tocavam o chão como se estivessem sentido a grama pela primeira vez.

Então elas se aconchegaram a Rebecca Moore, uma das várias pessoas que as salvaram do destino brutal. E elas ronronaram.

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“Galinhas ronronam sim”, Moore conta ao The Dodo. “E estas aqui estão se ajustando a serem amadas e cuidadas”.

Não, este não é o paraíso das galinhas. É uma pequena cabana em Woodstock, Nova Iorque, onde Moore está cuidando de duas galinhas chamadas Buckles e Pancakes após uma rede de amantes de animais ter conseguido retirá-las de um matadouro ambulante.

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A vida não poderia ter tido uma virada mais inesperada para essas duas galinhas, que somente alguns dias atrás estavam marcadas para serem abatidas em uma cerimônia kapparot – um tradicional ritual judeu que envolve rodopiar uma galinha acima da cabeça para absolver os pecados dessa pessoa, antes de abater a ave.

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A cada ano, existem algumas galinhas que estão muito doentes até para serem sacrificadas. Elas são tipicamente abandonadas nas ruas.

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Um dedo de Buckles tinha sido arrancado, provavelmente durante o transporte onde as gaiolas com aves são amontoadas uma em cima da outra. Ela não conseguia ficar de pé sozinha, transformando-a em nada mais do que um monte de penas no chão. E Pancakes não estava muito melhor.

Amantes de animais frequentemente ficam às margens das cerimônias kapparot, na esperança de que eles consigam salvar ao menos uma galinha.

Moore conseguiu levar Buckles e Pancakes para seu lar em Woodstock.

Por causa da forma que estas galinhas, chamadas de aves de corte, ficam estocadas, suas fezes caem em cima das outras, manchando profundamente suas penas.

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E Buckles, que não tinha um dedo, tinha que encontrar um novo jeito de ficar de pé. Moore adaptou um velho andador, transformando-o em um estilingue de frango.

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Buckles se adaptou a ele instantaneamente.

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E então existe a questão de cuidar de galinhas que foram procriadas e geneticamente manipuladas para serem nada mais do que uma refeição.

“Elas ficam tão grandes e pesadas que podem literalmente comer-se até a morte”, Moore diz. “Não são como as outras galinhas que você pode deixar comida para elas petiscarem. Elas devem ter porções muito específicas. Elas podem crescer muito rapidamente e ficar tão pesadas que não conseguirão suportar seu próprio peso, e seu sistema imune é nulo”.

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Pouco a pouco, estas galinhas estão recuperando suas forças. A única coisa que elas parecem não precisar é fé. Apesar de tudo que já passaram, Buckles e Pancakes amam as pessoas que as salvaram.

“Estes animais já passaram por cada coisa horrível, mas em minutos, elas confiam em você e vão até você para terem apoio. Elas são incrivelmente benevolentes”, Moore diz.

De noite, as galinhas dormem dentro de casa, embaixo de uma luz de neon em forma de galo.

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E então veio aquele primeiro e brilhante dia na grama.

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“Elas ainda estavam feridas, mas era um dia ensolarado e eu queria aproveitá-lo”, Moore diz.

“Eu as levei para fora e elas somente me conheciam há dois dias, e agora quando eu sento lá fora, a menor simplesmente deita com a cabeça em minha perna”.

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Se há alguma lição em salvar somente duas galinhas, é que Buckles e Pancakes oferecem um exemplo brilhante de como mesmo as almas mais oprimidas podem florescer sob o abrigo da compaixão.

“Elas podem agora viver uma boa vida e serem felizes, livres e amadas”, Moore diz.

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Você pode seguir as aventuras de Buckles e Pancakes – e saber como podemos viver felizes ao lado dos animais – na página do Facebook do Institure for Animal Happiness.

Por Christian Cotroneo / Tradução de Alice Wehrle Gomide

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