Estratégia de apoio para os animais de circo é bem recebida no México

Estratégia de apoio para os animais de circo é bem recebida no México

Especialistas veem adequadamente a decisão da Profepa de realocar animais para receber cuidados em unidades especializadas.

Por Andrea Meraz / Tradução de Flavia Luchetti

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A decisão da Procuradoria Federal de Proteção ao Ambiente (Profepa) de encaminhar animais utilizados em circos para as Unidades de Manejo para a Conservação da Vida Silvestre (Uma) é um passo importante para o futuro dos mesmos, assegurou Carmen García, ex-funcionária do The Wild Animal Sanctuary, o maior santuário de animais do mundo, localizado nos Estados Unidos.

Nesse sentido, García disse que esta ação responde as necessidades existentes no México para reabilitar os animais maltratados, e envia uma mensagem aos proprietários de circos de que existe desejo de modificar os espetáculos.

“Parece-me interessante dar uma resposta, para que as pessoas dos circos entendam que existe uma vontade nacional, em muitos níveis e setores, como acadêmicos, ativistas e autoridades, há um desejo geral de transformar os espetáculos que há animais participando”, afirmou.

Em entrevista para o jornal mexicano Excélsior, a ex-coordenadora no México em resgates para The Wild Animal Sanctuary garantiu que um dos benefícios deste programa é que saberemos com certeza que os animais feridos não terão de ser sacrificados.

“O benefício imediato é que o futuro deles já não é incerto. Havia a preocupação geral de para onde iriam os animais, e junto disso, uma autêntica e justificada incógnita por parte de todos: qual será o destino destes animais?”, disse.

Inclusive, antes de responder a esta questão, García comentou que as pessoas já estavam vendo uma postura mais ampla, pois “é uma lei que vai evitar que exista uma geração de animais maltratados, aprisionados perpetuamente em um circo”.

No que se refere aos donos de circos, a também ativista em favor dos direitos dos animais, María Domínguez, expos que a iniciativa permitirá que entre eles já não procurem reproduzir, permutar ou vender animais ilegalmente.

“As autoridades estão retomando o comando de uma situação que estava saindo de controle, de não se saber quantos animais havia e que são muito perigosos, ou que estão em perigo de extinção”, comentou.

Domínguez também lembrou que é um “requisito básico” criar refúgios para animais no país, pois nestes lugares eles são cuidados com mais atenção e há a missão de garantir o seu bem estar, principalmente daqueles que viveram situações de maus- tratos, através da reabilitação, dignificando e tratando de recriar condições de liberdade novamente.

O anúncio da Profepa estabelece que os circos que não possam prover aos animais após a entrada em vigor da atual legislação, estes poderão ser

enviados a mais de 12 mil Unidades de Manejo para a Conservação da Vida Silvestre existentes em todo o país.

No mês de janeiro, o Executivo Federal promulgou reformas na Lei Geral do Equilíbrio Ecológico e da Proteção ao Ambiente e na Lei Geral da Vida Silvestre, aprovadas em dezembro de 2014 por ambas as Câmaras do Congresso da União, que proíbem o uso de animais selvagens nos circos do México.

A reforma modifica a legislação e estabelece que esteja expressamente proibido que os circos usem animais silvestres.

As sanções para quem violar esta disposição está entre 50 e 50 mil salários mínimos, o que atualmente equivale a 3.500 pesos (R$ 745,00) a 3 milhões e 500 mil pesos.

UNIDADES ESPECIALIZADAS

As Unidades de Manejo para a Conservação da Vida Silvestre (Uma) buscam contribuir para a conservação da biodiversidade.

* Elas surgiram em 1997 com objetivo de ajudar na preservação da diversidade biológica.

* Buscam estimular esquemas alternativos de produção compatíveis com o cuidado do meio ambiente, através do uso racional, ordenado e planificado dos recursos naturais renováveis nelas contidas.

* Para melhorar o aproveitamento sustentável da vida selvagem, cada Uma deve contar com um plano de manejo aprovado pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semarnat).

* As Uma podem ser intensivas ou extensivas: Nas intensivas, os indivíduos, sobretudo de espécies exóticas, estarão em confinamento, com intervenção direta do ser humano, e nas Uma extensivas ou sujeitas ao manejo de hábitat, os animais se encontram livres.

Fonte: Excelsior

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