Estrutura de atendimento a animais silvestres será mantida no Pantanal

Estrutura de atendimento a animais silvestres será mantida no Pantanal
Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

O Posto de Atendimento aos Animais Silvestres criado pelo Governo de Mato Grosso, mantém em campo a estrutura de apoio aos animais silvestres vítimas dos incêndios florestais que atingiram o bioma neste ano mesmo com a diminuição dos focos de calor. As equipes em campo avaliaram que a assistência à fauna com distribuição de alimentos e água segue necessária até que a vegetação nativa possa atender as necessidades dos animais.

Em visita nesta sexta-feira (06.11), a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, reforçou que mesmo após as primeiras chuvas é necessário seguir com as ações de alimentação aos animais. 

A gestora explicou que o processo de regeneração da flora para oferecer alimentação natural aos animais silvestres deve demorar pelo menos mais 60 dias em um cenário positivo de regularidade o período chuvoso se regularize.  Para que a regeneração seja completa, além das folhagens, o bioma também deve recompor a formação de sementes e frutos para os animais.

Atualmente, a distribuição de alimentos é feita por terra e com o apoio de helicóptero do Ibama para acessar áreas mais distantes. Nos próximos dias, uma aeronave locada pela Defesa Civil de Mato Grosso será designada para apoio às operações no Pantanal. Além disso, a Defesa Civil também irá adquirir seis caminhões pipa para o Corpo de Bombeiros Militar, veículo que poderá atuar tanto na distribuição de água, quanto para atender os focos de calor que ainda se encontram ativos.

Planos para 2021

As equipes também definiram que a atual estrutura do PAEAS Pantanal será mantida para os próximos anos servindo de apoio para possíveis eventos futuros. O planejamento de combate ao desmatamento ilegal e aos incêndios florestais já está em curso e os aprendizados do PAEAS Pantanal serão incorporados aos planos.

Decoada

A equipe da Sema, pesquisadores e voluntários também se mostram preocupados com os possíveis efeitos na vida aquática das cinzas resultantes dos incêndios florestais. As equipes alertam para que a população não consuma os peixes que aparecem mortos nos rios logo após as primeiras chuvas, já que a mortandade, nesse caso, ocorre por comprometimento da qualidade da água.

A coordenadora de Fauna e Recursos Pesqueiros da Sema, Neusa Arenhart, esclarece que o Bioma nunca sofreu um incêndio nessas proporções. “As cinzas não fazem parte do ambiente natural e em contato com a água se tornam tóxicas aos organismos aquáticos, atuando como uma bomba dentro do sistema”, explica.

Para a bióloga, os efeitos das cinzas somados à decoada, que é o processo natural onde ocorre a diminuição do oxigênio na água devido a decomposição de material orgânico e a eutrofização de lagos e baías, poderão levar a uma potencialização no volume de organismos mortos, já que se tratam de duas situações extremas.

“As previsões ou os resultados previstos para ambas as situações (de origem natural e antrópica) estarão sobrepostas ou mescladas, pois não é possível identificar ou quantificar os organismos vítimas pela decoada ou pela lixiviação das cinzas”, complementa Neusa.

Em funcionamento há mais de 60 dias, o PAEAS Pantanal foi instalado no Posto Fiscal do Km 17 da rodovia Transpantaneira. Atualmente, 55 pessoas trabalham no resgate, tratamento, destinação, reintrodução e assistência aos animais silvestres. Mais de 190 animais das mais variadas espécies. Já foram distribuídos mais de 7 milhões de litros de água e 76 toneladas de alimentos.

Fonte: PNB Online

Os comentários abaixo não expressam a opinião da ONG Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.