Estudioso sugere fechar parque na Pampulha e matar capivaras em Belo Horizonte, MG

Estudioso sugere fechar parque na Pampulha e matar capivaras em Belo Horizonte, MG

Pesquisador integra trabalho que envolve quatro instituições, que recolheram 10 mil carrapatos em três horas.

Por Ana Paula Pedrosa e Rafaela Mansur

O risco de contrair febre maculosa na Pampulha só será eliminado se as capivaras da região forem sacrificadas e o Parque Ecológico for fechado. A análise é do professor de doenças parasitárias da Escola de Veterinária da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Romário Cerqueira Leite, integrante de uma pesquisa, ainda inédita, que comprovou que essa área da capital é endêmica para aRickettsia rickettsii, bactéria que causa a doença.

O estudo foi realizado por Cerqueira e outros pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e deve ser publicado em outubro. Cerqueira explicou que essas recomendações são medidas sanitárias adotadas em áreas contaminadas, mas não constarão no material a ser publicado. “A situação é grave e a intervenção tem que ser rápida. Se não fizerem nada, quem vai assumir a responsabilidade pelas mortes (por febre maculosa)?”, questiona.

Em janeiro, quando a pesquisa começou, a equipe recolheu cerca de 10 mil carrapatos-estrela em três horas no Parque Ecológico. A coleta foi feita na área da mata, que é fechada à visitação. “É uma concentração altíssima. Na área da grama, a concentração é menor, mas também existe”, disse Cerqueira.

Ele explicou que os pesquisadores conseguiram isolar a bactéria, feito que tinha acontecido na cidade só na década de 30, quando a febre maculosa também era endêmica. “Isolar aRickettsia é dificílimo. Isso comprova que é uma área com problema. Tem o vetor (a bactéria) e tem o hospedeiro (capivara), o que torna a área de risco”, afirmou. O professor avaliou que castrar as capivaras não seria eficiente, porque o animal pode viver até 20 anos e continuar a ser hospedeiro do carrapato-estrela.

Além de eliminar as capivaras, ele disse que é preciso fechar o parque, porque, mesmo sem o hospedeiro, o local só poderá ser considerado livre dos carrapatos-estrela em três ou quatro anos. O professor explicou que esse é o ciclo de vida do parasita, desde a larva até a fase adulta. Como o carrapato-estrela pode entrar até 12 cm abaixo do solo e, na fase adulta, ficar até dois anos sem se alimentar, ele poderia escapar de medidas de manejo como o corte da grama, irrigação e até aplicação de carrapaticida.

Essas medidas de prevenção, no entanto, continuariam indispensáveis para ajudar na eliminação do carrapato-estrela. Além disso, seria necessário manter o trato dos cavalos que circulam pelo local, já que eles também podem ser hospedeiros do parasita. A Secretaria Municipal de Saúde informou que realiza, em parceria com a UFMG, banhos carrapaticidas em cavalos dos carroceiros da região. Neste ano, já foram mais de 300 banhos em 106 cavalos.

Defesa. A coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais, Adriana Araújo, defende o manejo populacional ético das capivaras, que inclui o monitoramento por meio de microchipagem, a aplicação de carrapaticida e a esterilização dos animais, visto que a febre maculosa é transmitida apenas por filhotes. “É preciso manter esses animais saudáveis e conscientizar a população. A capivara é apenas um entre vários hospedeiros da bactéria”, ponderou.

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Fonte: O Tempo


Nota do Olhar Animal: A baixeza ética e a incompetência técnica não se transmitem por contaminação biológica, mas parecem bastante contagiosas, pois os equívocos históricos no combate às zoonoses se repetem com uma frequência impressionante. Como imunizar as autoridades sanitárias contra isso? Não sendo possível, então como imunizar os animais contra as decisões estúpidas delas?

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